Crítica | Rainhas do Crime (The Kitchen)

Rainhas do Crime é uma adaptação para o cinema da HQ homônima do selo Vertigo, da DC Comics, que busca se diferenciar das narrativas tradicionais com histórias mais voltadas para o público adulto. A trama se passa no bairro de Hell’s Kitchen, em Nova York, na década de 70, quando três mulheres se unem para assumir o poder sobre a máfia local, antes dominada por seus maridos, que foram presos e condenados a três anos de reclusão.

Claire Walsh (Melissa McCarthy) é filha de imigrantes irlandeses que vivem no bairro há muitos anos. Ela é casada e tem dois filhos. Ruby O’Carroll (Tiffany Haddish) vive um relacionamento abusivo com seu marido branco e é constantemente humilhada pela sogra. Claire Walsh (Elisabeth Moss) é um caso clássico de vítima de violência doméstica, traumatizada e fragilizada. Em suas diferentes escalas de vulnerabilidades, diante da prisão dos maridos, as três enxergam a necessidade e a possibilidade virar o jogo.

A história guarda diversas semelhanças com a trama do filme As Viúvas (2018), estrelado por Viola Davis. O que distingue Rainhas do Crime são as confusões do roteiro que tornam os desfechos do segundo e do terceiro atos do filme bastante confusos e pouco críveis. O primeiro trabalho de direção de Andrea Berloff deixa a desejar. Há uma evidente dificuldade, ao longo da narrativa, de equilibrar as transições entre drama e humor.

Outro ponto que parece fragilizar o enfoque dramático da história é a banalização da exposição da violência, que dificulta a identificação do público com a trajetória das personagens. A postura girl power das protagonistas não é natural. Os diálogos e as cenas buscam reiterar essa característica todo tempo para o público, como se a história de cada uma das mulheres não fosse suficiente ou não pudesse falar por si nesse aspecto.

Ironicamente, quem – literalmente – salva a execução do longa são as três atrizes. Melissa McCarthy e Tiffany Haddish, que construíram suas trajetórias na comédia, surpreendem e parecem bem à vontade em papéis dramáticos. Elisabeth Moss participa de algumas das melhores e mais fortes cenas do filme, embora, fique a impressão de que pudesse oferecer mais. Margo Martindale no papel da sogra de Ruby também se destaca e se impõe mesmo com pouco tempo de tela.

O ponto forte de Rainhas do Crime fica limitado ao protagonismo feminino, que ganha cada vez mais espaço em filmes de ação e crime. Entretanto, a execução de tramas do gênero ainda carece de bons roteiros, menos clichês e mais sensíveis na representação e na construção das personagens. Para uma adaptação de quadrinhos, é uma estratégia comercialmente interessante que apresenta ao grande público heroínas pouco conhecidas e mais humanas.


Uma frase: – “Todos esses caras que andam aí não têm um par de colhões que se aproveite”

Uma cena: Ruby O’Carroll leva a sogra para “jantar”.

Uma curiosidade: Melissa McCarthy e Tiffany Haddish ganharam o Emmy de Melhor Atriz Convidada em série de comédia. McCarthy em 2017, Haddish em 2018. Ambas foram premiadas pela atuação no “Saturday Night Live”. De acordo com a diretora do longa, a escolha de comediantes para um filme de gângster surgiu da vontade de eliminar rótulos.


Rainhas do Crime (The Kitchen)

Direção: Andrea Berloff
Roteiro:
Ollie Masters e Ming Doyle
Elenco: Elisabeth Moss, Melissa McCarthy, Domhnall Gleeson, Tiffany Haddish, Common e Margo Martindale
Gênero: Ação, Crime e Drama
Ano: 2019
Duração: 102 minutos

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