Crítica | Anos 90 (Mid90s)

O ator Jonah Hill não para de surpreender. Após iniciar sua carreira como comediante, Hill migrou para papéis mais sérios, chegando inclusive a concorrer ao Oscar. Agora chegou a vez de dirigir seu primeiro filme. Em Anos 90 o agora cineasta acerta novamente e apresenta um trabalho simples, pessoal e que mostra uma sensibilidade incrível.

Anos 90 é um estudo de personagem e conta a história do jovem Stevie, um garoto de 13 anos que está em transição da vida de criança para a de adulto. O roteiro, também escrito por Jonah Hill, mostra a aproximação do protagonista a um grupo de skatistas. Ele chega de mansinho, timidamente, mas aos pouco se solta e consegue encontrar o seu lugar na turma.

A trama fala basicamente sobre amadurecimento visto na forma de um garoto que quer aproveitar a vida enquanto é jovem, mas que aprende a lidar também com as consequências. Mas nem por isso espere algum tipo de lição de moral, esse não é o objetivo de Anos 90. Jonah Hill apresenta isso através dos relacionamentos experienciados por Stevie, seja com seus novos amigos ou com sua família: mãe e irmão.

O diretor optou por filmar em 16mm, em uma razão de aspecto meio “quadrada”, fazendo com que a obra cinematográfica lembre um “filme caseiro”. Isso é interessante ao tornar Anos 90 um longa mais intimista, quase como se estivéssemos acompanhando um documentário.

Esse recurso funciona também graças ao trabalho dos atores, na maioria formado por nomes desconhecidos, que apresentam performances genuínas e fascinantes. O jovem Sunny Suljic constrói Stevie muito bem, que começa como um garoto tímido e calado, se transformando em um jovem cheio de autoconfiança, mas também sem limites. Tudo isso de forma natural e verossímil.

O roteiro de Jonah Hill não se entrega aos estereótipos, dessa forma os personagens são apresentados de forma multidimensional e mostram jornadas interessantes, mesmo que alguns deles tenham menos tempo em tela. O mais impressionante é a relação entre eles, que é retratada de maneira brilhante.

Como o título deixa claro, a história se passa na década de 1990. Então não poderiam faltar referências ao período, seja na trilha sonora ou em objetos vistos em cena. Felizmente Jonah Hill não cai no clichê de embarcar na nostalgia de forma gratuita. O cuidado do cineasta em não escolher canções manjadas, por exemplo, é essencial para transformar a experiência de Anos 90 em algo verdadeiro.

Em síntese, Anos 90 é uma estreia fabulosa de Jonah Hill como diretor. O filme apresenta uma história bem interessante, com uma sensibilidade fabulosa e personagens cativantes. A experiência de assistir essa obra cinematográfica evoca sentimentos que vão muito além da simples nostalgia, apresentando uma trama genuína e excelente.


Uma frase: – Ray (para Stevie): “Muitas vezes, sentimos que nossa vida é uma droga. Mas, se olhar a realidade do outro, não trocaria a sua pele dele.”

Uma cena: Stevie sozinho no quarto com uma garota.

Uma curiosidade: Jonah Hill andava de skate quando era jovem.


Anos 90 (Mid90s)

Direção: Jonah Hill
Roteiro:
Jonah Hill
Elenco: Sunny Suljic, Lucas Hedges, Na-Kel Smith, Olan Prenatt, Gio Galicia, Ryder McLaughlin, Alexa Demie e Katherine Waterston
Gênero: Comédia, Drama
Ano: 2018
Duração: 85 minutos

2 thoughts on “Crítica | Anos 90 (Mid90s)”

  1. Esse filme é fantástico, gosto da forma como ele fala sobre ‘pertencimento’ e ele se liga muito com minha “pré-adolescência” até pela questão do skate e dos laços em decorrência disso.

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