Resenha de Livro | Madonna 60

Madonna é uma das artistas mais importantes da atualidade e seu impacto na cultura pop dos últimos anos é impressionante. A biografia não autorizada escrita por Lucy O’Brien faz uma análise fascinante sobre a vida e a carreira da artista. A autora lançou em 2007 uma primeira versão do livro quando a cantora completou 50 anos. Em 2018 ela fez uma atualização falando sobre esses 10 anos passados.

O trabalho de pesquisa de Lucy O’Brien foi muito bem realizado. Uma biografia não autorizada tem vantagens e desvantagens. Um dos problemas é que o fato da autora não ter realizado encontros pessoalmente com Madonna faz com que seu relato não tenha trechos mais íntimos. Por outro lado, O’Brien ouviu pessoas próximas e utilizou muitas reportagens e entrevistas da artista como base para o livro. Dessa forma a escritora conseguiu se aprofundar em narrar fatos da vida de Madonna, mas também observando outros pontos e assim chegar a uma descrição mais completa acerca do lado pessoal da artista.

Madonna 60 é praticamente um trabalho acadêmico, já que a autora utilizou diversas fontes bibliográficas – todas listadas ao final do livro. O’Brien compilou tudo em ordem cronológica e narra a carreira da artista desde o seu nascimento até os dias atuais.

Essas referências são importantes também pela análise do impacto cultural de Madonna na cultura pop onde a escritora além de fazer a sua própria análise também cita reportagens e críticas da época do lançamento dos disco, por exemplo, para informar ao leitor o que a mídia dizia sobre a cantora.

Ao longo da carreira, Madonna não foi apenas cantora, mas também investiu em outras artes como cinema e literatura, além de ter se envolvido em questões políticas e beneficentes. No entanto, foi através da música que ela ficou conhecida e onde é referência.

Os trechos mais interessantes do livro, principalmente para os fãs da cantora, envolve o processo artístico de Madonna. A autora conta sobre a gravação dos discos, como foi a escolha de músicos e parceiros musicais, além da parte visual, como videoclipes e principalmente na preparação para as turnês. Ao longo da carreira Madonna se reinventou diversas vezes, tanto no visual quanto musicalmente, então é interessante acompanhar essa evolução com o passar dos anos.

Outro ponto importante é a questão que diz respeito a sexualidade. Madonna definiu as cantoras pop como conhecemos hoje e a quebra de paradigmas em relação ao sexo foi muito importante. A artista tinha uma imagem da mistura de “virgem com puta”, que ficou imortalizada graças a canção “Like a Virgin” e principalmente a apresentação dessa música no VMA (premiação da MTV) onde ela vestida de noiva fez uma simulação de sexo no palco. Se em 2019 a questão da sexualidade e da mulher ainda é complicada, quanto mais nos anos 1980.

Madonna sempre foi acusada de explorar a sexualidade como forma de “chocar” e de tentar aparecer na mídia. Mas por outro lado ela foi importante na luta da liberdade sexual das mulheres. Lucy O’Brien faz uma análise muito interessante dessa relação e do impacto cultural na sociedade sobre o tema.

Em mais de 500 páginas a autora apresenta um estudo completo sobre Madonna, investindo tanto no lado pessoal quanto na carreira da artista. Lucy O’Brien não só narra os acontecimentos, como faz questão de contextualizar tudo que é relatado, para que o leitor consiga compreender melhor não só a vida da artista, mas tudo que estava relacionado e ao redor. Além disso, mostra uma análise muito consistente, principalmente do lado artístico de Madonna. Afinal de contas, se Madonna continua relevante após 36 anos de carreira, existe um motivo para isso.



Título: Madonna – 60 Anos
Autor: Lucy O’Brien
Editora: Agir
Tradução: Diego Affaro
Número de páginas: 536

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