Crítica | Shazam! (2019)

Você achou Aquaman divertido? Achou errado, otário!

Shazam – a última história de origem da DC – nos conta sobre o que aconteceria a um adolescente (Billy Batson) se de repente recebesse poderes de sete divindades e, após gritar um acrônimo, ganhasse a aparência de um homem de 30 anos, uma fantasia com músculos inflados, um raio extremamente reluzente no peito e ainda tivesse que encontrar o seu lugar no mundo (é muita responsabilidade para um adolescente).

O filme nos apresenta primeiramente o jovem Thaddeus Sivana sendo selecionado por um mago e recebendo a chance de ser o novo SHAZAM (e ficou querendo), pois não resistiu aos seus instintos e acabou sendo deixado de lado. Dali em diante entendemos a sua motivação rancorosa em se tornar um super vilão (Mark Strong, mais uma vez, interpretando alguém ‘muito, muito mau’). 

Depois conhecemos Billy, um garoto que se perdeu da mãe, passou a vida se dedicando a encontra-la em vários estados e sempre se metendo em confusão, sendo encaminhado para lares adotivos. Entretanto ele nunca se deixou ser acolhido por alguém, já que terminava fugindo de todas as famílias e lares (até chegar na Filadélfia). Billy Batson tem a última chance de se adaptar a um lar quando é acolhido por uma família composta por pessoas que também já estiveram em situação semelhante. A família Vasquez é bem padrão de sitcom, mas a variedade de personalidades e diversidade é o que a torna tão legal.

Crianças prodigiosas, pais acolhedores e fora do padrão. Não há como não simpatizar.

Enquanto isso vamos conhecendo cada membro da família, acompanhamos como Sivana se torna um vilão e vai em busca dos poderes que o Mago SHAZAM recusou concede-lo. Billy passa o tempo se divertindo com seus novos poderes (que ele não tem noção de como utilizar), além de arranjar um trocado fazendo exibições como se fosse um mágico de rua ou um influenciador digital – até ter seu primeiro embate – e perceber que precisa assumir a responsabilidade de um herói por que “Com grandes poderes vem grandes responsabilidades”.

Sabe o que eu acho?

Shazam não é um filme ambicioso e não se leva a sério como os filmes anteriores da Warner. Ele pega o que conseguiram aprender com Mulher Maravilha e adaptam muito bem ao gosto do mercado atual. Acredito que Aquaman preparou bem esse terreno, já que foi o primeiro a fugir da estética dos filmes dramáticos e sombrios (mas acredito que vai ser um dos poucos a permanecer nessa linha).

O fratricídio e parricídio cometidos por Sivana mostra que ainda existe um tom “sombrio” e sem pudor (para felicidade de muita gente na sala), só pra dizer que o cara é realmente mau. Os trabalhos anteriores do diretor David F. Sandberg são bem apresentados nos monstros que representam os Sete Pecados Capitais, que de fato é surpreendente já que o filme é focado em crianças, pode dar muito certo, mas mostra uma inconstância de tons.

Sobre os atores: tive a impressão de que Billy é menos bobo em sua forma normal do que enquanto está transformado. É um salto de um garoto um tanto introspectivo e sério para um homenzarrão bobo, falante e super empolgado com a novidade. As melhores interações ficam entre Freddy Freeman e Billy, que se completam bem como dupla enquanto não dividem cena com a graciosa Darla Dudley.

A forma “caótica” de SHAZAM agrada as pessoas que leram seus quadrinhos e também consegue acolher novos espectadores. O filme tem algumas inconsistências, algumas partes (como a cena do shopping) reduziram minha empolgação. Em alguns momentos nessas cenas é notável uma queda na produção e nos efeitos especiais. Entretanto ele se sai muito bem onde acerta, não é super engraçado o tempo todo, mas consegue transmitir bem seu tom cômico através da ingenuidade de Zachary Levi.

Para mim foi uma boa experiência já que nunca li nada a respeito, só sei o básico de algumas animações. Fui de fato como parte do “público civil” e não tive parâmetros para comparar com esse ou aquele material “escrito por fulano de tal em 1976 onde o contexto era…”. O filme não tinha obrigação de me agradar através de fan service (apesar das referências e fórmulas Marvel). Filme perfeito pra família e vai disputar horário na Sessão da Tarde com Homem Aranha.


Uma frase: “Segure o meu cajado”

Uma cena: O teste dos poderes.

Uma curiosidade: O nome anterior de SHAZAM era Capitão Marvel

 


Shazam! (2019)

Direção: David F. Sandberg
Roteiro:
Henry Gayden, Darren Lemke
Elenco: Asher AngelZachary LeviMichelle BorthDjimon Hounsou, Mark Strong, Jack Dylan GrazerMarta Milans, Meagan GoodGrace Fulton
Gênero: Comédia, Ação, Aventura
Ano: 2019
Duração: 132 minutos

 

 


2 thoughts on “Crítica | Shazam! (2019)”

  1. Despretensioso e divertido. O plot final me surpreendeu e a atuação de Zachary Levi, apesar de destoar do tom introvertido do ator de billy batson, era empolgante. Ele parecia verdadeiramente felizão feito criança no papel de Shazam!

  2. Essa piada do “pegue no meu cajado” junto com o Papai Noel tresloucado são muito boas. Fora isso o tom família e zueiro caiu muito bem e veio em ótima hora, um momento ondes os filmes de heróis (a maioria pelo menos) estão seguindo caminhos mais sisudos e sérios, esquecendo um pouco da sua real essência nos quadrinhos.

    Não é mesmo nada que vá mudar o gênero e tampouco se propõe a isso, mas ao que ele se propõe ele faz muito bem feito.

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