Crítica | Vox Lux: O Preço da Fama

O drama musical Vox Lux é o terceiro trabalho do jovem diretor Brady Cobert (de apenas 31 anos) e marca o retorno de Natalie Portman à telona. O drama acompanha a vida de Celeste (Raffey Cassidy) uma garota que se torna o novo fenômeno da música pop dos Estados Unidos (não é biográfico), ao ter sua música abraçada pela nação – graças à sagacidade de um produtor musical – que se torna um hino de resistência após um atentado escolar (não é sobre Columbine).

O filme é uma experiência chocante e ao mesmo tempo confusa. Sua estrutura é dividida em três atos nos quais assistimos o nascimento para a fama, o renascimento como pessoa e o ato final de uma artista com passado glorioso e que vive o conflito de não se sentir mais preenchida ou digna da posição que ocupa. Uma metáfora para a decadência social, vivida por muitos artistas.

Começando com longos dez minutos de créditos apresentados no início do filme, a história tem cenas impactantes, e que, preciso confessar, me senti como se os olhos quisessem saltar da caixa. As cenas do atentado à escola de Celeste são tão bem produzidas que trazem uma percepção de realidade. Não é algo gore e também não é banal como os filmes de ação. Acontecem quando menos se espera, ironicamente, como na vida.

Com o decorrer da história, o que parecia ser um filme policial se transforma em um “quase” road movie e podemos ver a transformação de uma garota recém saída de um trauma, perseguindo o sonho do estrelato na música pop acompanhada do empresário (Jude Law) e de sua irmã-mentora Eleanor (Stacy Martin).

De repente a voz onisciente de Willem Dafoe anuncia uma mudança temporal de vinte anos e “a filha se tornou mãe de si mesma”. Nos forçamos a perceber que Natalie Portman agora é Celeste adulta e a jovem Celeste (Raffey Cassidy) agora é sua filha. Eleanor e Jude Law não mudam absolutamente nada na aparência, é como se o tempo não tivesse passado e o elenco só mudou de roupa.

A nova Celeste passa por momentos depressivos, sofre com o abuso de drogas e álcool e ainda precisa lidar com a retomada da carreira. Vox Lux também aborda temas como saúde mental, bullying e auto aceitação.

Sabe o que eu acho?

Vox Lux tenta apresentar muitas coisas em duas horas e ao mesmo tempo falha em trazer uma compreensão. A narração nos apresenta mais detalhes que fazem sentido do que o que foi filmado (com exceção das cenas do tiroteio e o conflito com um gerente no restaurante). É claro que a narração é um recurso do filme, e, se está funcionando, logo, teoricamente cumpre o papel, mas a sensação de quem está recebendo essa quantidade de informação é que não faz sentido. A narração ainda sugere que algumas coisas podem ou não ter acontecido.

De verdade, eu tenho esperança que Vox Lux faça sentido para alguém, pois existe muito esforço do início ao meio da película, mas entrega muito pouco até o final. Mas se tem algo que vale a pena nele é o lado nebuloso e o misto de sentimentos bons ou ruins que proporciona.


Uma frase: Narrador: “Celeste teria 31 anos”

Uma cena: Tiroteio na escola

Uma curiosidade: As músicas foram escritas e produzidas por SIA.

 


Vox Lux (O preço da fama)

Direção: Brady Cobert
Roteiro: Brady Cobert
Elenco:  Natalie Portman, Jude Law, Stacy Martin, Raffey Cassidy
Gênero: Drama, Música
Ano: 2018
Duração: 120 minutos

2 thoughts on “Crítica | Vox Lux: O Preço da Fama”

  1. Muito bom texto, Junio. Fiquei curiosa apenas para conferir como foi gravada essa cena do tiroteio na escola. De resto, a impressão que tive ao assistir o trailer só se confirmou com a sua crítica: é o “cisne negro” dos milenials.

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