Crítica | Velvet Buzzsaw

Se você nasceu entre os anos 80 e 90, com certeza teve algum familiar ou simplesmente conhecia alguém que possuía um quadro de criança chorando. Estes quadros fizeram parte de uma lenda urbana brasileira e segundo contam, eles foram pintados por um artista que fez um pacto com o Diabo para conseguir fama e dinheiro. Nos quadros estavam escondidos elementos subliminares e quem os tinham fatalmente se tornavam amaldiçoados. Este argumento de obras amaldiçoadas também está presente no mais novo produto da Netflix, o filme Velvet Buzzsaw, onde podemos dizer que reacende essa lenda urbana, ou pelo menos tenta, de uma forma moderna.

Em Velvet Buzzsaw somos apresentados a um mundo completamente novo e distópico de grande parte do público: As grandes galerias de artes e mega colecionadores. A agilidade com que se lida com arte, o mercantilismo se sobrepondo ao talento, o comércio sujo que tira a beleza e a pureza de muitas obras de artes, desacreditando pessoas com um verdadeiro dom por parte de críticos e do ego. Nos primeiros minutos de filme você já começa a entender como funciona a compra e venda de grandes obras, as negociações para exposições em museus e perspectiva de novos talentos.

Ao contrário da obscuridade por trás de cada um dos personagens, Velvet Buzzsaw é um filme claro, de constantes paredes brancas e cores contrastantes. O colorido contrapõe um pouco a estética de filmes de terror onde temos em parte ambientes escuros e trabalhos com sombra. E por falar em terror, a coluna dorsal da narrativa gira em torno de Josephine que descobre no apartamento de seu vizinho recém falecido, obras de arte incríveis e decide comercializá-las, mesmo com o pedido dele para que tudo fosse destruído.

Velvet Buzzsaw

Vetril Dease pintou uma quantidade gigantesca de quadros, todos com uma temática melancólica, retratando dor e sofrimento, muitos tinham crianças e adultos em situação de desesperança. Por incrível que pareça essa estética era altamente rentável e tornou uma sensação entre os grandes colecionadores o homem já falecido. A partir disso, as coisas começam a dar errado para as pessoas que de certa forma lucraram com a arte de Vetril.

A originalidade de Vevelt Buzzsaw está nesses pontos já citados. A ideia da arte se vingando do capitalismo que a explora, o horror atrelado a beleza que seduz e a ganância acima de tudo é algo novo e poderia torna-lo um filme que deixa sua marca no gênero. Mas, infelizmente não consegue fazer isso. Exatamente por mostrar um ambiente desconhecido do grande público, precisaria trabalhar nos personagens para nos aproximar daquele mundo mas eles é praticamente impossível ter qualquer empatia com qualquer um deles. O destino dos principais personagens está diretamente ligado a obra que ele  Embora Jake Gyllenhaal pareça uma caricatura ambulante, consegue mostrar minimamente um pouco de humor e excentricidade que chegam a criar uma breve faísca mas nunca acende uma chama nesse personagem. Rene Russo tem seu talento desperdiçado em um papel morno e John Malkovich, bem, até agora estou me perguntando o que raios ele está fazendo neste filme.


Uma frase: – “Isso funciona como um safári para caçar a próxima novidade e comê-la .”

Uma cena: Morf encontrando a escultura.

Uma curiosidade: O termo Vevelt Buzzsaw é uma expressão de cunho sexual.

 


Velvet BuzzsawVelvet Buzzsaw

Direção: Dan Gilroy
Roteiro:Dan Gilroy
Elenco: Jake Gyllenhaal, Rene Russo, Toni Collette, Zawe Ashton, Tom Sturridge, Natalia Dyer, Daveed Diggs, Billy Magnussen, John Malkovich e Mig Macario
Gênero: Horror, Mistério, Thriller
Ano: 2019
Duração: 113 minutos

 

2 thoughts on “Crítica | Velvet Buzzsaw”

    1. Até que vi uma boa quantidade de críticas elogiando. Eu realmente não vi nada demais, tinha tudo pra ser um filmaço mas ficou no quase.

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