Crítica | Calibre

Imagine que você e um grande amigo se envolvem em uma confusão e acreditam que uma mentira pode ajuda-los a resolver o problema. A mentira cresce e perdem o controle, sendo que o problema inicial vira uma bola de neve onde se torna impossível voltar ao ponto inicial. Posso dizer, resumidamente, que o texto acima é o que acontece no filme Calibre.

Esta não é exatamente uma história original, mas a condução do longa é tão eficiente que nos prende até o ato final, onde ficamos preocupadas com o destino dos protagonistas. Na história, conhecemos dois amigos de longa data que decidem viajar durante um fim de semana. Esta viagem parece como um momento para conversar, se despedir da velha vida, já que um deles está prestes a ser pai e tem novas perspectivas. O local escolhido é o interior da Escócia, onde Marcus vai praticar caça esportiva e leva junto o inexperiente Vaugh.

O local é inóspito e nada amigável, longe de grandes cidades, cercado de neblina, clima frio, matas e montanhas por todos os lados. A fotografia muito eficiente, passa para o espectador um clima claustrofóbico e de desolação como se um perigo eminente estivesse próximo de acontecer. E acontece! Marcus e Vaugh se envolvem em um acidente e todos as decisões e mentiras que decorrem deste problema são de causar aflição a todos.

O elenco de apoio também tem um papel fundamental na construção da tensão que assistimos em Calibre. Os moradores da vila onde os protagonistas se hospedam não são nada amigáveis, mesmo quando tentam ser. É como se você estivesse em um filme de terror e se sentisse intimidada por todos ao seu redor, mesmo quando não existe razão pra ser. A medida que os acontecimentos se desenrolam, o clima de claustrofobia cresce, mesmo quando existe um enorme campo aberto ao redor.

Toda a tensão construída ao longo do filme derrapa um pouco no seu final. Existe um problema relacionado a Marcus e Vaugh e todas as decisões tomadas a partir disso tornam Calibre um filme bem acima da média e o seu desfecho, embora fique um pouco abaixo do esperado, torna todo o contexto mais obscuro e desolador.


Uma cena: Toda a sequência onde os amigos estão caçando, desde a chegada na floresta até a volta para o hotel. 

Uma curiosidade: A primeira e a última cena foram filmadas no mesmo dia.

 


Calibre

Direção: Matt Palmer
Roteiro:
Matt Palmer
Elenco: Jack Lowden , Martin McCann, Tony Curran e Ian Pirie
Gênero: Suspense
Ano: 2018
Duração: 101 minutos

One thought on “Crítica | Calibre”

  1. Dani, seu texto tinha me convencido a assistir o filme e não me arrependi. Concordo contigo, ele realmente sabe te prender mesmo com uma história que não é tão original assim né?

    Acho que o clima de tensão e o próprio ambiente que ele cria, naquele local com aqueles moradores você fica tenso do início ao fim. As atuações são boas também.

    Acho que vale a pena principalmente pra turma que fica rolando a netflix sem saber o que assistir, ótima dica!

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