Review | Celeste (2018)

Por Erick Alencar, analista desenvolvedor brasiliense, apaixonado por jogos desde o Atari, seguista e viúva do Dreamcast.

O Nintendo Switch tem sido a minha plataforma preferida para os jogos independentes. Após terminar Hollow Knight, resolvi conferir o jogo Celeste – que já havia sido incluído na lista dos cinco indicados ao prêmio de Jogo do Ano (2018) no Game Awards, o “Oscar dos Games”. À primeira vista, os gráficos pixelados e seu formato 2D não me conquistaram. Porém, pensei: para um jogo estar lado a lado de blockbusters com gráficos realistas em 4K, equipes e orçamentos grandiosos, no mínimo, ele tem algo a mais.

De fato, o game surpreende. Celeste é um misto de plataforma e puzzle. Alguns desses puzzles exigem paciência para conseguir avançar. É comum morrer diversas vezes ao longo do caminho que consiste, basicamente, na escalada de uma montanha pela protagonista Madeline. Para se ter uma ideia, eu morri mais de duas mil vezes! Sem falar que os controles do Switch, no modo portátil, também não ajudam. Boa parte dos desafios exigem precisão de tempo e direção para combinar pulo, apenas um “dash” e escalada na parede para alcançar a próxima plataforma. Nesses momentos, os controles me faziam ir na direção errada, sendo os responsáveis por boa parte das minhas “mortes”.

Apesar do nível de dificuldade, a experiência do jogo não é cansativa ou frustrante. Ao contrário do esperado, o gráfico pixelado me incomodou muito pouco. O jogo é dividido em segmentos de tela, algumas menores e outras maiores. Ao morrer a personagem volta ao início do segmento atual. Com isso, a cada morte e nova tentativa, é possível aprender algo sobre o desafio daquele segmento e ficar ainda mais instigado a persistir para avançar. Os desafios vão sendo incrementados, incluindo novos elementos a medida que se avança no jogo. Caso ainda queira mais desafio, é possível tentar pegar os morangos espalhados pelas fases. Os próprios desenvolvedores já informaram que os morangos são desafios a mais, que não interferem na história do jogo.

Jornada de superação e descoberta

A grande surpresa, aliás, está na beleza e na mensagem da história da personagem principal. Decidida a escalar a montanha que dá nome ao jogo, Madeline passa por situações que a fazem pensar sobre sua vida. A história aborda temas atuais e difíceis como depressão, crise de pânico, auto-estima, auto-sabotagem, entre outros. A escalada da personagem pela montanha torna-se uma jornada de autoconhecimento. Em diálogos com outros personagens que aparecem na história, Madeline reconhece seus defeitos e qualidades, além de ainda reunir forças para concluir o desafio de subir até o cume da Montanha Celeste. Desafio pessoal que, no começo, parecia ser impossível para uma garota concluir sozinha.

A ótima abordagem desses temas fez Celeste ser premiado nas categorias de Melhor Jogo com Impacto Social e Melhor Jogo Independente do Game Awards, o jogo ainda foi indicado para Melhor Trilha Sonora e Jogo do Ano (2018). Curiosamente, três brasileiros integram a equipe de desenvolvimento do jogo. Duas mulheres e um homem. São eles: Amora Bettany, Heidy Motta e Pedro Medeiros. Eles atuaram mais intensamente elaboração artística de Celeste.


Classificação:


Celeste

Plataformas: Nintendo Switch, Playstation 4, Xbox One e Steam
Produtora e Desenvolvedora: Matt Makes Games
Ano: 2018

3 thoughts on “Review | Celeste (2018)”

  1. Excelente texto, já venho ouvindo falar bem desse game há tempos e também tenho um Switch que precisa ser mais usado. Acho que esses indies são uma boa forma de fazer isso.

    1. Obrigado! Magias da edição.
      Como Smash Bros não me atrai, tenho tentado explorar os indies nessa entressafra. Joguei Hollow Knight, Celeste e Gris. Recomendo todos. Agora estou jogando Undertale, que é mais antigo, mas como eu tinha deixado passar, aproveito para esperar o New Super Mario Bros. chegar.

  2. O jogo parece incrível! Bom saber que tem brasileiro no desenvolvimento de games tão interessantes. Gostei da crítica! 😉

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