Crítica | O Peso do Passado (Destroyer)

A melhor coisa de O Peso do Passado é a atuação da premiadíssima Nicole Kidman, que vive a detetive do FBI Erin Bell. Do alto de seus 51 anos e de uma extensa e bem sucedida carreira artística em Hollywood, a atriz se entrega visceralmente ao papel, que lhe rendeu uma assustadora mudança física. Com um drama tecnicamente bem construído, mas de roteiro pouco criativo, a diretora Karyn Kusama alcança o mérito de extrair de Kidman uma de suas mais incríveis interpretações para os cinemas.

Emocionalmente destruída por erros cometidos no passado, a detetive Erin Bell (Nicole Kidman) está cansada de sua própria existência. Para aplacar a depressão, a vergonha e o tormento da culpa que a persegue, a agente do FBI passa a maior parte dos dias alcoolizada. A situação se agrava quando o grupo criminoso relacionado ao trauma do início de sua carreira volta à ativa. Empenhada na investigação da quadrilha de ladrões de bancos, a protagonista revive os dias mais difíceis de sua vida.

O misterioso e dolorido passado que Bell parece literalmente carregar nas costas – com andar desequilibrado, corpo envelhecido e olhar abatido e soturno – é revelado pouco a pouco aos espectadores do filme por meio de flashbacks. Enquanto isso, a narrativa do presente, evidencia o emprego de uma força descomunal da policial na batalha consigo mesma para acertar as contas com Silas (Toby Kebbell), o chefe da gangue na qual a detetive e seu parceiro Chris (Sebastian Stan) se infiltraram a cerca de 15 anos.

A detetive está tão obcecada pela investigação do paradeiro do criminoso que ameaça colocar em risco sua carreira no FBI. Ao mesmo tempo, Bell precisa lidar com a rebeldia da filha adolescente Shelby (Jade Pettyjohn), que mora com o padastro Ethan (Scoot McNairy). O relacionamento das duas é conturbado e difícil, cujo desfecho rende uma das cenas mais sensíveis e comoventes do longa – que acerta no drama e deixa a desejar para uma produção de tema policial.

Dada à densidade da personagem principal era esperado um roteiro mais inovador. Para muitos que estão acostumados a filmes policiais de ação, as primeiras cenas já podem ser suficientes para prever os próximos passos da detetive e também os segredos guardados por ela. O longa abusa dos clichês do gênero e só não fica entediante devido ao brilhantismo de Nicole Kidman, que faz o espectador temer por sua vida em quase todas as cenas de ação e luta. O final é justo, pouco surpreendente e entrega uma desnecessária redenção.


Uma frase: – Bell fala para a filha Shelby: “Passei a vida toda lutando, com inveja, fome e medo. Quero encontrar algo decente, algo bom. Você pode ser melhor que eu”.

Uma cena: A cena em que a detetive Erin Bell conversa com a filha Shelby em tom de despedida.

Uma curiosidade: Nicole Kidman pegou uma gripe durante as filmagens e tentou usar a doença em sua performance, numa das cenas finais do longa, na qual mal conseguia ficar de pé.


O Peso do Passado (Destroyer)

Direção: Karyn Kusama
Roteiro:
Phil Hay e Matt Manfredi
Elenco: Nicole Kidman, Sebastian Stan, Toby Kebbell, Tatiana Maslany e Jade Pettyjohn
Gênero: Drama, Ação, Crime
Ano: 2018
Duração: 121 minutos

2 thoughts on “Crítica | O Peso do Passado (Destroyer)”

  1. Gosto de filmes policiais e acho que o maior problema de ‘O Peso do Passado’ foi não ter enfocado toda a trama no passado, que é interessante, quando comparada à trama do tempo presente. No mais, concordo plenamente com você que o melhor do filme é a atuação de Nicole Kidman, irreconhecível, quase.

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