Crítica | Creed 2 (2018)

Sob a tutela de Rocky Balboa (Sylvester Stallone), Adonis “Creed” Johnson (Michael B. Jordan) se prepara para encarar a batalha pela qual esperou por toda a vida e onde precisa se provar para seguir em frente. Creed 2 nos traz mais uma história envolvente, com a nova direção de Steven Caple Jr, mas mantendo a fórmula de grande sucesso que separa os filmes de Boxe daquilo que é o legado Rocky: Atores carismáticos (agora ainda mais talentosos) com histórias de superação, redenção e crescimento.

Creed 2 traz de volta uma rixa antiga, da época da Guerra Fria precisamente, que impactou na vida de algumas pessoas deixando marcas severas em três famílias. O filme nos mostra em poucos minutos como foi que seguiu a vida do inesquecível (mas nem tanto) Ivan Drago e  como isso impactou também na vida de seu filho Viktor. É uma história muito atraente, já que até então, poucos sabem o que aconteceu com o maior orgulho do esporte soviético, que foi banido do país e abandonado por tudo que mais dava valor.

É muito forte como esses homens precisam lidar com seus problemas existenciais e como as questões familiares estão diretamente ligadas a isso, todo o filme fala da relação entre pais e filhos. Um homem tentando reconquistar o que já foi seu, pressionando o filho para ter algo perdido no passado, que julgam ser merecedores e outro homem tentando se reconciliar com o passado e se conectar com o filho.

A ascensão e queda dos personagens é o que dá o tempero certo para tudo. mas o tema subjacente é a família como a coisa mais preciosa. Não importa o que fazemos ou o que nós passamos, ter o suporte dos nossos queridos é o que nos faz seguir em frente.

Pontos Fracos:

  • Eu esperava que dessem liberdade para Adonis evoluir mais como personagem: No primeiro filme ele precisa se provar digno do nome Creed, já nesse ele caminha para se tornar um novo Rocky e isso me incomoda muito. Sim, ele evoluiu bastante e Rocky tem grande parcela nisso, mas acredito que nessa parte poderiam ser mais corajosos.
  • Não era necessário apelar para tornar Ivan e Viktor Drago vilões através de jogo sujo: Ver como esses caras se viraram para chegar naquele nível de luta e depois manchar a imagem dessa maneira, pra que? Estava claro ali quem era o principal motivador do sofrimento deles. Para mim não faz sentido que um lutador superior precise trapacear. Ficou meio Karate Kid, forçou uma antipatia para atrair o apelo do público.

Pontos Fortes:

  • Como já ficou subentendido: As atuações são muito boas! A química entre Michael B. Jordan, Sylvester Stallone, Tessa Thompson, Wood Harris e Phylicia Rashad funciona muito bem, passa a sensação de que ali existe um laço familiar ou acima disso.

  • As lutas são muito boas. É muito divertido como o diretor nos passa a sensação de estar acompanhando a luta dentro do ringue! Melhor ainda é perceber como Viktor Drago é um boxeador poderoso através do impacto que nos é informado com a movimentação da câmera ou através das expressões dos lutadores quando golpeiam e são golpeados.
  • A sensação de continuidade da direção entre Ryan Coogler e Steven Caple Jr.
  • A construção dos antagonistas. A história da família Drago e a compreensão de quem é realmente o vilão ali (se é que existe mesmo vilão).
  • A trilha sonora é mais do que eu esperava. Estava curioso sobre como iam funcionar algumas músicas e já dava para imaginar quais funcionariam em determinadas horas, quais os temas e etc. Mas a que me chamou mais a atenção foi Runnin,  que é Going The Distance (Bill Conti), musica tema de Creed – pra mim é a que não deve faltar – e mescla com Asap Rocky, Jacob Banks e orquestra.
  • Ludwig Goransson, prestem atenção nesse artista.

Sabe o que eu acho?

O filme não supera o primeiro, poderia ser muito melhor, mas ainda assim é muito bom. Esperava um Creed mais introspectivo, mas quem amadureceu mesmo foi Rocky Balboa (demorou, mas aconteceu). O motivo da minha expectativa se dá por conta do que ele já viveu na infância por causa da falta que o pai fez, logo imaginei um homem envolvido em um conflito sobre quem ele queria ser para sua família e se iria repetir o mesmo erro do pai. Algumas reflexões não deixaram de existir, mas não foram bem para o personagem principal (na boa, o nome do filme é CREED). Eu adoro como esse legado incentiva a seguir em frente e ser uma pessoa melhor.


Uma frase: “Se você vai ao Inferno, é melhor (já) ir se acostumando”

Uma cena: A antológica cena do treinamento finalizando com corrida.

Curiosidades

  • Brigitte Nielsen interpretou Red Sonja
  • Florian ‘Big Nasty’ Munteanu é romeno e boxeador profissional. Durante as entrevistas confessou que teve muito medo de decepcionar Sly.

Creed 2 (2018)

Direção: Steven Caple Jr
Roteiro: 
Sascha Penn
Elenco: Michael B. Jordan, Sylvester Stallone, Tessa Thompson, Wood Harris, Phylicia Rashad, Dolph Lundgren, Florian Munteanu
Gênero: Drama, Esporte
Ano: 2018
Duração: 90 minutos

 



 

3 thoughts on “Crítica | Creed 2 (2018)”

  1. Excelente análise do filme. Sou fã da franquia Rocky e lógico que me emocionei muito. Achei sensacional utilizarem a relação de pais e filhos como foco principal da narrativa. Nisso, conseguiram até mesmo humanizar a figura de Ivan Drago, principalmente, nas cenas finais.

  2. Apesar do que você comentou como ponto fraco e que concordo em parte, acho que depois da cena final não é possível que um futuro Creed 3 ele, finalmente, trilhe o seu próprio caminho.

  3. Porra, eu achei que o filme mostra bem sim a evolução de Adonis. A cena dele no hospital com a esposa e o bebê fazendo o teste de audição na criança é fantástica! Ou quando ele leva o bebê na academia de boxe. Para mim são poucos momentos que mostram muito do personagem. Me “incomoda” mais a teimosia dele, que teoricamente deveria estar menor depois do que houve no 1º filme. Mas achei a jornada dele satisfatória. E quanto a virar um novo Rocky, acho que faz parte do “clichê” de filmes de boxe criados principalmente pela franquia. Então acho difícil conseguir escapar dessa “armadilha”. Ainda assim acho que Creed evoluiu muito mais em menos tempo do que o próprio Rocky, que como você mesmo falou, somente aqui parece finalmente ter chegado ao final da sua própria jornada pessoal.

    E a parte de Drago ficou boa, melhor que a maior parte dos filmes de Rocky. Não achei aquilo um “jogo sujo”, mas sim o retrato de alguém inexperiente que queria logo terminar a luta, além do seu lado mais “animalesco”. Tanto que eu fiquei surpreso do quanto o filme investe no drama do personagem e na sua relação com o pai. No final pra mim o saldo foi positivo, já que ele poderia ter sido um personagem totalmente unidimensional.

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