Crítica | Chacrinha: O Velho Guerreiro

Sem dúvidas Chacrinha foi um dos apresentadores de tv mais irreverentes e controversos da história da televisão brasileira. O filme de Andrucha Waddington faz um estudo interessante de Abelardo Barbosa, colocando 2 atores para interpretá-lo em momentos diferentes de sua vida, dessa forma apresentando ao público um pouco da vida do homem por detrás do “personagem”. Sim, tem que colocar entre aspas, porque é difícil diferenciar onde termina Abelardo e começa Chacrinha, já que sua figura pública praticamente se mesclou com a pessoal.

Chacrinha: O Velho Guerreiro começa com Abelardo ainda jovem, interpretado por Eduardo Sterblitch. O filme mostra como ele começou a trabalhar na rádio e o seu humor extravagante e diferente começou a chamar a atenção se transformando num sucesso. Na época alguns programas de rádio eram feito com platéia, então foi quando surgiu o “personagem” Chacrinha, sempre usando um figurino excêntrico e fazendo piadas.

No entanto, é quando Stepan Nercessian assume o papel de Chacrinha durante sua carreira na televisão é que o filme entrega a versão mais conhecida do “personagem”. O ator entrega uma atuação muito boa, equilibrando bem os maneirismos sem ficar caricato. Nercessian mostra um homem que vivia para o trabalho, negligenciando a esposa e os filhos, então dificilmente o vemos sem sua “fantasia” de Chacrinha.

O roteiro de Valerio Cosimo explora justamente esse lado “workaholic” de Chacrinha e como isso ditou a sua vida. O homem estava sempre insatisfeito com a produção do programa televisivo e vivia brigando com as emissoras. Além disso, ao deixar sua família real de lado, ele de alguma forma transformou seus colegas de trabalho em uma “família”. Um exemplo disso é a relação paternal dele com as chacretes, mulheres que trabalhavam com ele na frente das telas, uma das marcas do seu programa, e também com Elke Maravilha, modelo que virou presença constante ao seu lado no estúdio de tv. O jeito então foi trazer seus filhos para trabalhar com eles, só assim ele pode construir uma relação com eles, mas continuou deixando de lado a esposa.

Resumir a vida de uma figura como Chacrinha em apenas 90 minutos é complicado, então muitos elementos de sua biografia passam rapidamente de forma superficial, como a relação dele com a mãe, ou o romance com a cantora Clara Nunes. No entanto, o filme de Andrucha Waddington capricha no design de produção para levar o espectador a uma viagem com altas doses de nostalgia. Os momentos em que o longa reproduz o programa de televisão do protagonista são fantásticos, com destaques para as participações de atores dando vida a artistas que passaram por lá, como Wanderléa, Roberto Carlos, Raul Seixas, Sidney Magal, entre outros.

O filme também é tecnicamente competente com uma boa fotografia, como em uma cena onde a câmera acompanha Chacrinha entrando no estúdio em sua volta à televisão no final da carreira, além de uma montagem ágil que dita um ritmo eficiente transformando os 90 minutos do longa em uma experiência interessante e divertida.

Chacrinha: O Velho Guerreiro faz um bom resumo da carreira do apresentador e mostra até alguma de suas polêmicas, como a briga com a Rede Globo, apresentando o protagonista como um homem talentoso, mas que era humano e tinha suas falhas. E principalmente em como sua vida pessoal e a pública se misturaram ao ponto dele deixar de ser Abelardo, virando apenas Chacrinha.


Uma frase: – Chacrinha: “Eu vim para confundir, eu não vim não para explicar.”

Uma cena: A primeira vez que Abelardo Barbosa apresenta seu programa de rádio.

Uma curiosidade: O ator Stepan Nercessian já havia dado vida à Chacrinha de 2014 a 2017, em um musical no teatro de mesmo nome do filme.


Chacrinha: O Velho Guerreiro

Direção: Andrucha Waddington
Roteiro:
Valerio Cosimo
Elenco: Stepan Nercessian, Eduardo Sterblitch, Gianne Albertoni, Laila Garin, Carla Ribas, Rodrigo Pandolfo e Pablo Sanábio
Gênero: Biografia, Drama, Comédia
Ano: 2018
Duração: 90 minutos

Analista de sistemas nascido em Salvador (BA) em 1980, mas atualmente morando em Brasília (DF). Cinema é sem dúvidas o meu hobby favorito. Assisto a filmes desde pequeno influenciado principalmente por meus pais e meu avô materno. Em seguida vem a música, principalmente rock e pop.

One thought on “Crítica | Chacrinha: O Velho Guerreiro”

  1. Assisti a este filme nesta semana e achei uma biografia bem consistente sobre um cara que marcou história na comunicação brasileira. Apesar disso, achei a linha temporal do filme confusa, especialmente para quem está entrando em contato com a história de Chacrinha pela primeira vez. Destaco as atuações de Eduardo Sterblitch e de Stepan Nercessian, ambos ótimos como o protagonista.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *