Crítica | Papillon (2018)

Henri Charrière (Charlie Hunnam), chamado de Papillon, pequeno bandido das baixadas de Paris da década de 30, é condenado à prisão perpétua por um crime que não cometeu. Enviado para a Ilha do Diabo, Guiana Francesa, ele conhece Louis Dega, um homem que  Papillon promete ajudar em troca de auxílio para escapar da prisão.

Papillon é uma refilmagem e talvez uma das melhores películas adaptadas de um livro biográfico. A história de como um jovem ladrão profissional foi parar na cadeia e tentou por várias vezes escapar de seu destino, é algo que soa tão inacreditável a ponto de trazer os questionamentos se realmente aconteceu daquela maneira. É o tipo de história que merece ser contada nos cinemas, por que é fantástica e te traz uma percepção da vida, de uma época, que hoje em dia seria impensável.

O filme traz personagens que com certeza não devem chegar aos pés da complexidade que aqueles homens foram e que provavelmente definiram vários outros personagens já conhecidos em centenas de histórias. O charmoso Charrière, que buscou formas corajosas e práticas para não ser “quebrado”, é o centro das atenções por ser o personagem principal e ter maior tempo de tela, entretanto, não é mais importante que o introspectivo e racional Louis Dega (Rami Malek).

É interessante como os papéis encaixam bem nos atores, como uma luva vestindo uma mão. Malek consegue expressar através de seu rosto o quanto fica atônito e sem esperança durante o desenvolvimento do filme. O rosto do seu personagem consegue contar uma história que não precisou ser exibida. Dá pra acreditar que seu personagem (Dega) conviveu e teve afinidade com Hunnam (Papillon).

Charlie Hunnam é daqueles atores que não impressiona tanto por uma atuação dramática, mas é o cara que sabe fazer bem o tipo de homem que muitos outros querem estar usando a pele: Malandro, bom de briga, leal com os amigos e um bom líder. Ele é seguro no que faz e a experiência dos trabalhos anteriores (tanto os bem sucedidos quanto os que fracassaram) colaboram para esse papel, pois é possível encontrar um pouco do motoqueiro de “Sons of Anarchy” ou do explorador de “Z: A cidade perdida” em suas características.

A maneira na qual o filme é produzido também colabora com a imersão. As locações são bem realistas e replicam bem como era a prisão da Guiana Francesa. Dá para fazer comparações com as fotos que são expostas nos créditos do filme e ver como o figurino e os locais são parecidos. As prisões eram locais totalmente desumanizadores e talvez não servissem nem como abrigos de animais. Vale ressaltar aqui o bom trabalho da equipe de fotografia, além da equipe de maquiagem que conseguiu envelhecer bem os principais personagens.

Sabe o que eu acho?

O que me incomoda no filme é como outros personagens menores não recebem a mesma atenção e parece que o tempo não passou para alguns deles. Outro ponto é a locação que representa uma aldeia no litoral colombiano, mas não chega a ser um erro comprometedor, talvez só incomode mesmo quem tem alguma noção de que aquilo não é semelhante a uma aldeia indígena.

Papillon vale a pena, é um bom filme de época com uma história inspiradora.


Uma frase: “…”

Uma cena: Com certeza as melhores cenas são as filmadas na solitária.

Uma curiosidade:  O filme é baseado nos livros Papillon e Banco, que contam a história de como Henri viveu na cadeia e posteriormente como foi a sua vida após chegar a Venezuela.

 

 


Papillon

Direção: Carlos SedesJorge Torregrossa
Roteiro:Aaron GuzikowskiHenri Charrière (autor dos livros “Papillon” e “Banco”)
Elenco: Rami MalekCharlie HunnamTommy Flanagan
Gênero: Drama, Crime
Ano: 2018
Duração: 133 minutos

 

 

 


Uma alma com boas intenções que está metendo dança. Dizem.

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