Crítica | Halloween (2018)

Halloween, dirigido John Carpenter, é um dos filmes de terror mais importantes da história do cinema. Sem dúvidas é um dos maiores clássicos do gênero slasher. Quarenta anos após o seu lançamento, a história influenciou diversos outros longas, e claro, teve diversas continuações e remakes. Agora em 2018 o diretor David Gordon Green ignorou todas as sequências feitas e fez uma obra-cinematográfica que é uma continuação direta da obra de 1978. E o mais importante, temos novamente Jamie Lee Curtis dando vida a Laurie Strode, irmã do assassino Michael Myers.

Em seu filme, David Gordon Green explora a questão psicológica envolvendo os personagens, algo parecido com que o diretor Rob Zombie fez em sua refilmagem de 2007. O que aconteceu com a vida de Laurie Strode durante esses 40 anos? Como aquela noite de Halloween em 1978 afeta a relação com sua família até hoje? São essas as questões que o roteiro explora como premissa.

A relação de Laurie com sua filha Karen (Judy Greer) é complicada, já que a mãe parece estar sempre em estado de paranóia e apreensão por causa do trauma causado por Michael. A neta Allyson (Andi Matichak) é um pouco mais compreensiva, mas também não consegue entender como sua avó até hoje não conseguiu superar o ocorrido.

O inevitável acontece e Michael Myers consegue fugir, e obviamente ele vai atrás de Laurie e sua família para matá-las. Contudo, dessa vez ela está preparada, ou melhor, esteve se preparando durante esses 40 anos. O simbolismo dessa luta de 3 mulheres, de gerações diferentes, contra um homem assassino, é muito interessante e bem explorado pelo diretor.

O Halloween de 2018 explora muito bem as fórmulas e clichês dos filmes slasher, como por exemplo, o assassino ir atrás de um casal que está prestes a fazer sexo. Entretanto, o cineasta David Gordon Green executa um trabalho técnico de ótima qualidade. A forma como ele explora a iluminação, com o uso de sombras, é muito bom. A fotografia e a montagem fazem com que as cenas de perseguição de Michael Myers a suas vítimas tenham um impacto no espectador. O diretor não entrega sustos fáceis ou violência gratuita, toda a mise-en-scène é construída de forma hábil.

Outro ponto inteligente é a maneira como a trilha tema do filme, criada pelo próprio John Carpenter, é utilizada no longa de 2018. Cada vez que a música começa a tocar, imediatamente é criada a tensão no espectador, além de acrescentar também o sentimento de nostalgia. O tema musical é marcante e é explorado muito bem em criar o elo sentimental com quem está assistindo o longa.

O diretor David Gordon Green sabe que está diante de um personagem icônico como Michael Myers, então ele explora bem até mesmo pequenos momentos, como a 1ª vez que o personagem coloca sua máscara, sabendo do impacto que isso causa do espectador.

Essa continuação de Halloween faz faz jus ao filme de 1978. É muito bom ver novamente Jamie Lee Curtis dando vida a Laurie Strode, mostrando todo o seu carisma. O diretor explora muito bem o gênero slasher e toda a iconografia da franquia e do personagem Michael Myers. Tudo isso com uma qualidade técnica impressionante.


Uma frase: – Laurie Strode: “Então, você não acredita no bicho-papão?”

Uma cena: Quando Michael Myers coloca novamente sua máscara.

Uma curiosidade: Esse é o quinto filme da franquia Halloween estrelado por Jamie Lee Curtis como Laurie Strode. Os anteriores são Halloween: A Noite do Terror (1978), Halloween 2: O Pesadelo Continua! (1981), Halloween H20: Vinte Anos Depois (1998) e Halloween: Ressurreição (2002). A atriz também deu voz à “Santa Mira”, personagem de Halloween 3: A Noite das Bruxas (1982), mas não foi creditada.


Halloween

Direção: David Gordon Green
Roteiro:
Jeff Fradley, Danny McBride e David Gordon Green
Elenco: Jamie Lee Curtis, Judy Greer, Andi Matichak, Will Patton e Virginia Gardner
Gênero: Terror, Thriller
Ano: 2018
Duração: 106 minutos

Analista de sistemas nascido em Salvador (BA) em 1980, mas atualmente morando em Brasília (DF). Cinema é sem dúvidas o meu hobby favorito. Assisto a filmes desde pequeno influenciado principalmente por meus pais e meu avô materno. Em seguida vem a música, principalmente rock e pop.

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