Crítica | O Banquete (2018)

O Banquete, novo filme de Daniela Thomas, deixa claro suas pretensões logo na cena de abertura. Nela vemos um inseto sendo capturado por uma planta carnívora. O animal estava inocentemente em busca de alimento quando é capturado pelo predador. Muitas vezes as vítimas caem em armadilhas sem nem mesmo perceber, ou só se dão conta tarde demais. Essa é a lição que alguns dos personagens da história irão aprender.

Na trama acompanhamos um jantar preparado por Nora (Drica Moraes) em sua casa para comemorar o aniversário de casamento do seu chefe Mauro (Rodrigo Bolzan) e a esposa Bia (Mariana Lima). Entre os convidados temos o Plínio (Caco Ciocler), marido da organizadora do evento, e outros colegas de trabalho: Maria (Fabiana Gugli ) e Lucky (Gustavo Machado).

A história se passa no início dos anos 1990 e tem um pouco de inspiração em fatos reais. Mauro é editor de uma revista e escreveu um artigo criticando o presidente do Brasil. Na vida real em 25 de Abril de 1991 Otávio Frias Filho, diretor do jornal Folha de São Paulo, publicou uma carta aberta ao então presidente da república Fernando Collor de Mello. A diretora usou o fato como premissa inicial para o seu filme.

Daniela Thomas apresenta em O Banquete uma história inicialmente simples, mas que é rica em referências em seu subtexto. Pode ser interpretado como um simples jantar onde um grupo de amigos reunidos aproveitam para “lavar a roupa suja”. Mas é nas entrelinhas que a trama mostra todo o seu potencial.

O Banquete, foto

Thomas além de dirigir, também escreveu o roteiro e fez a montagem. É impressionante ver o cuidado da diretora nos movimentos de câmera, já que o filme se passa o tempo todo dentro da casa de Nora. Ela pensou muito bem em cada cena para manter o ritmo e captar todas as nuances da atuação do elenco. Temos muitos planos fechados no rosto dos atores, principalmente para visualizar a reação de cada personagem em determinados momentos. Muitas vezes não vemos quem está falando, mas sim quem está ouvindo. Um espelho situado atrás da mesa de jantar também ajuda a observamos a cena em um ângulo diferente, como se através dele pudéssemos enxergar a real intenção de cada uma das pessoas. Esses detalhes fazem com que O Banquete não pareça uma simples peça de teatro filmada, já que a diretora filma totalmente pensando em cinema.

O elenco também entrega atuações formidáveis. A cada novo personagem que surge em cena o filme ganha uma nova dinâmica. Através dos diálogos vamos descobrindo mais sobre cada um deles e qual o seu papel naquele jantar. As conversas são ótimas e passam por temas como amor, filosofia, e claro, suas vidas pessoais. Os atores transformam seus respectivos personagens em pessoas verossímeis e fica fácil o espectador se identificar com algumas de suas características ou a mistura de descontração e desconforto com o avançar do jantar.

Dentre tantas performances brilhantes, sem dúvidas o principal destaque fica por conta de Drica Moraes, que rouba a cena com sua Nora. Uma fala da personagem pode ser usada muito bem para definir o filme. Não é apenas um simples jantar, mas sim um banquete.


Uma frase: – Plínio: “Educado é o meu pau que levanta para você sentar.”

Uma cena: A cena de abertura mostrando um inseto sendo capturado por uma planta carnívora.

Uma curiosidade: Após a morte de Otavio Frias Filho, diretor de redação da Folha de S.Paulo, a primeira exibição pública do filme “O Banquete” foi cancelada no 46º Festival de Cinema de Gramado. De acordo com a organização do evento, o longa foi retirado da disputa da mostra pela diretora Daniela Thomas. (Fonte G1)


O Banquete, cartazO Banquete

Direção: Daniela Thomas
Roteiro:
Daniela Thomas
Elenco: Drica Moraes, Mariana Lima, Caco Ciocler, Rodrigo Bolzan, Fabiana Gugli, Gustavo Machado, Bruna Linzmeyer, Chay Suede e Georgette Fedal
Gênero: Suspense, Drama
Ano: 2018
Duração: 104 minutos

Analista de sistemas nascido em Salvador (BA) em 1980, mas atualmente morando em Brasília (DF). Cinema é sem dúvidas o meu hobby favorito. Assisto a filmes desde pequeno influenciado principalmente por meus pais e meu avô materno. Em seguida vem a música, principalmente rock e pop.

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