Crítica | Christopher Robin: Um Reencontro Inesquecível

A Disney segue transformando suas animações em filmes live-action, mas em Christopher Robin: Um Reencontro Inesquecível a proposta é um pouco diferente das produções mais recentes. O diretor Marc Forster pega o universo do Ursinho Pooh e ao invés de adaptar algum episódio do desenho, ele faz uma história original em que o pequeno Christopher se transformou em um adulto e se encontra novamente com seus antigos amigos de infância.

Forster já havia realizado algo parecido no longa “Em busca da terra do nunca“, onde o autor da peça Peter Pan se envolve novamente com seus personagens. No entanto, Christopher Robin lembra bastante a temática de “Hook, a Volta do Capitão Gancho“. No filme de Steven Spielberg encontramos um Peter Pan adulto que esqueceu da sua infância, mas encontra com ela novamente ao voltar na Terra do Nunca para salvar seus filhos.

Em Christopher Robin: Um Reencontro Inesquecível o protagonista vivido por Ewan McGregor teve que virar um adulto antes da hora após perder o seu pai quando era criança. Ele agora é casado e tem uma filha, mas só quer saber de trabalho e que a garota esteja preparada para a vida adulta, sem aproveitar a infância. Um dia Pooh aparece pedindo ajuda para encontrar seus amigos e Christopher tem um reencontro com seu lado infantil, mas conseguirá ele achar a importância disso?

O filme faz uma boa reflexão sobre o lado criança versus adulto e de como é importante achar um equilíbrio entre eles. O roteiro constrói uma narrativa eficiente em apresentar uma fábula infantil sob o ponto de vista adulto no mundo real. A jornada do protagonista gira em torno de como é errado dar importância somente ao trabalho e negligenciar a família e sua própria vida, algo que em sua visão é apenas um sacrifício em nome de algo maior e isto seria ser adulto.

Christopher Robin, foto

Um Reencontro Inesquecível também é muito eficaz em sua parte técnica ao apresentar uma fotografia bonita com cenários realistas que ajudam na imersão na narrativa. É fácil notar a diferença entre o mundo de Pooh e o de Christopher, já que o 1º é repleto de natureza enquanto o 2º é mais “cinza” com prédios e cores do mundo real. A trama é de época, então a direção de arte e os figurinos são essenciais para a construção da história. E os efeitos visuais também são bem interessantes ao apresentar uma versão dos personagens do Ursinho Pooh que parecem uma mistura entre animais de pelúcia com algo real e verossímil.

O melhor personagem da história é o burrinho que com seu pessimismo sempre tem as melhores frases e situações do filme roubando a cena quando aparece na tela. Contudo, o roteiro também dá espaço para os outros personagens secundários.

Marc Forster faz uma história clichê, mas que é muito eficiente em usar esses elementos para construir um drama que funciona para todas as idades. Assim fica fácil para o espectador se identificar com os personagens e a relação de Christopher com sua infância representada através de Pooh, mas também com sua vida adulta e as dificuldades em equilibrar o lado profissional com o familiar.

Christopher Robin: Um Reencontro Inesquecível emociona na medida certa e faz uma boa reflexão sobre o equilíbrio entre a vida adulta e a infantil.


Uma frase: – Evelyn Robin: “Sua vida está acontecendo agora. Bem na sua frente.”

Uma cena: Madeline brincando como uma criança qualquer.

Uma curiosidade: Nesse filme, o design do Ursinho Pooh e seus amigos são uma combinação de suas versões animadas da Disney – quando eles eram animais falantes – e das histórias infantis de A.A Milne – que os representavam como bichos de pelúcia.


Christopher Robin, cartazChristopher Robin: Um Reencontro Inesquecível (Christopher Robin)

Direção: Marc Forster
Roteiro:
Alex Ross Perry, Tom McCarthy e Allison Schroeder; história de Greg Brooker e Mark Steven Johnson
Elenco: Ewan McGregor, Hayley Atwell, Jim Cummings e Brad Garrett
Gênero: Animação, Aventura, Comédia
Ano: 2018
Duração: 104 minutos

Analista de sistemas nascido em Salvador (BA) em 1980, mas atualmente morando em Brasília (DF). Cinema é sem dúvidas o meu hobby favorito. Assisto a filmes desde pequeno influenciado principalmente por meus pais e meu avô materno. Em seguida vem a música, principalmente rock e pop.

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