Crítica | O.J.: Made in America

Uma série ou um documentário? Dividido em 5 partes, cada uma delas com 90 minutos de duração, O.J.: Made in America é um verdadeiro épico sobre a história de O.J. Simpson.

O filme faz um trabalho investigativo impressionante e contextualiza muito bem a questão racial envolvida. Mostra um pouco sobre os problemas em Los Angeles e também fala sobre outros atletas que se envolveram com a luta contra o racismo. Toda essa história é importante para entender a complexidade e a relação entre os fatos ocorridos na vida de Simpson.

O documentário também mostra como Simpson foi um atleta fantástico, justificando a sua fama, e de como nunca se envolveu com questões políticas e raciais da comunidade negra. Ele conseguiu ser visto apenas como Juice, seu apelido, e não como um homem negro. Sua imagem transcendia a cor e a raça: era uma pessoa bem sucedida.

Após o assassinato da sua ex-mulher, Nicole, e de um amigo dela, sua vida se transforma. O filme mostra o quanto ele se aproveitou da questão racial para ser inocentado e mesmo com diversas provas contra ele, o júri o inocentou. O motivo? Racismo! Pouco tempo antes um negro, Rodney King, foi espancado por policiais. Um vídeo foi feito, mas os policiais foram absolvidos e isso gerou uma série de revoltas e protestos violentos na cidade de Los Angeles. Daí a importância da contextualização histórica muito bem realizada pelo diretor Ezra Edelman.

Edelman explora todos os aspectos da vida de Simpson através de imagens de arquivo, entrevistas antigas do atleta e principalmente com entrevistas com pessoas relacionadas a questão. Os depoimentos são excelentes e contribuem bastante na construção da narrativa.

O filme mostra muito mais do que somente a vida de OJ, é um retrato sobre o racismo nos EUA. Uma questão que continua em evidência nos dias atuais e ainda é um problema grave não só lá, mas também no resto do mundo. Isso o transforma em um documentário extremamente importante.

Documentário X seriado

O.J.: Made in America complementa muito bem o também excelente seriado American Crime History: People v. O.J. Simpson. A melhor forma de se assistir é primeiro conferir a série e em seguida partir para o documentário. Dessa forma fica mais fácil entender e é interessante ver depois as pessoas reais dando depoimento após conhecer suas versões ficcionais.

É importante também citar o lado das mulheres dentro da história e nisso tanto série quanto documentário se complementam. O.J.: Made in America foca bastante em Nicole Brown Simpson para não apresentá-la apenas como uma vítima, mas para mostrar a questão da violência doméstica contra a mulher e de como elas ficam em silêncio apesar do sofrimento que vivem. Já People v. O.J. Simpson mostra quanto Marcia Clark (interpretada pela atriz Sarah Paulson), advogada de acusação contra Simpson, sofreu durante o julgamento pelo simples fato de ser mulher e mãe, sendo constantemente julgada por sua aparência e pelos seus atos, tendo que provar sua competência.


Uma frase: – O.J. Simpson: “Eu não sou negro, eu sou OJ.” (se referindo a sua recusa a participar das tensões raciais durante os tumultos de Watts)

Uma cena: A entrevista com uma das juradas do julgamento de Simpson que admite que o absolveu simplesmente por vingança em relação às questões raciais.

Uma curiosidade: Com 7 horas e 47 minutos, o documentário foi o filme mais longo a ser indicado ao Oscar, batendo o recorde de Guerra e Paz (1966) em 31 minutos. E após ganhar o prêmio de melhor documentário, possui o recorde também de filme mais longo a ganhar um Oscar.


O.J.: Made in America

Direção: Ezra Edelman
Elenco: O.J. Simpson
Gênero: Comédia
Ano: 2016
Duração: 467 minutos

Analista de sistemas nascido em Salvador (BA) em 1980, mas atualmente morando em Brasília (DF). Cinema é sem dúvidas o meu hobby favorito. Assisto a filmes desde pequeno influenciado principalmente por meus pais e meu avô materno. Em seguida vem a música, principalmente rock e pop.

One thought on “Crítica | O.J.: Made in America”

  1. Sempre fico afim de começar a ver, mas nunca tenho coragem pela longa duração, mesmo sendo uma série documental.

    Seu texto me deixou ainda mais interessado, acho que vou encarar qualquer dia desses

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