Criando meu primeiro Game – Parte 1: Comprometimento Desmotivacional

Vou criar meu primeiro game e vai ser muito legal. Essa é uma afirmação que geralmente só nos leva a um lugar: O abismo sem fim da decepção. Existe uma distância considerável entre o possível e o desejado, o velho jogo da expectativa x realidade sempre surge quando a ideia sai da sua mente e você senta pra tentar, finalmente, colocar em prática o seu game que, com toda certeza (hahahahaha), vai ser muito legal e todos vão amar.

A verdade é uma só caro leitor, o primeiro passo para conseguir alcançar algo é se comprometer e transformar a vontade em hábito. Com este post eu dou o meu primeiro passo e me comprometo a criar meu primeiro jogo que, logo adianto, não vai ser nada legal. Provavelmente terá um monte de bugs, isso se for realmente um jogo completo e não apenas alguma fase solta no meio do nada, sem história, sem propósito e o principal: sem diversão (especialidade da casa).

Nem chegamos no terceiro parágrafo, se você realmente espera por um post motivacional e cheio de alegrias é melhor fechar essa aba e ir pra outro lugar.

Acredito, com minha experiência em desenvolvimento de sistemas, que é importante criar algo de verdade, sofrer socando o teclado, se achando burro e imbecil diversas vezes – quem sabe pelo menos você descobre que “olha, não é que sou realmente burro?” –  e não apenas ficar lendo e correndo atrás de tutoriais que estão quase sempre ‘prontos’, apenas te mostrando que é só dar dois cliques e o boneco já está lá rodopiando e dando voadora com magia na tela. É muito importante ler as documentações e fazer alguns tutoriais sim, mas se abraçar achando que o mundo real é daquele jeito é o segundo passo rumo àquele abismo que citei no início deste post desmotivacional.

Inspirações:

Quem cresceu jogando,  em algum momento da sua vida, já se pegou pensando no quanto seria legal criar o seu primeiro game, afinal a capacidade do ser humano para sonhar antes e se decepcionar depois é infinita. Nas primeiras gerações dos videogames, os desenvolvedores provavelmente choravam sangue, eram alienígenas e/ou riscavam algum pentagrama no chão para conseguirem criar todos aqueles jogos inesquecíveis. Com o passar do tempo e o avanço das ferramentas e tecnologia, o processo se tornou menos bruxoso e mais possível.

Para muitos Game Designs de sucesso atuais, o documentário Indie Game: The Movie foi grande fonte de inspiração, só que as minhas reais motivações apareceram após ter participado em dois episódios do nosso podcast que focaram no assunto de desenvolvimento de games que podem ser ouvidos clicando logo abaixo nas imagens:

 

Varacast #7 - Turtles of Destiny: A Arte de Criar um Game
Varacast #7 – Turtles of Destiny: A Arte de Criar um Game

 

Varacast #11 – Tiny Little Bastards

No primeiro deles Ernani confessou que sua real inspiração (hahahahaha) se deu após eu afirmar pra ele, milênios atrás, que era impossível criar um game. Era uma pessoa mais sensata naqueles tempos, vejam onde parei, a um passo de cair no abismo, sim, naquele mesmo…

O que já fiz até aqui?

Testei algumas ferramentas há uns 2 anos atrás e a primeira delas foi a famosa Unity. Na época cheguei a fazer dois tutoriais básicos e me empolgar com a facilidade, mas na real estava apenas seguindo passo-a-passos sem realmente aprender nada. Não demorou muito e dei uma olhada no Construct que, na época me pareceu bastante engessado (olhei recentemente e continuo, até aqui, com a mesma opinião).

Com minha vibe de programador que adora um código, passei um tempo olhando algumas bibliotecas em Javascript de desenvolvimento de Games. Peguei primeiramente uma bem simples chamada CraftyJs e pensei, bom,  vou fazer um game simples estilo “Frogger” que tinha no Atari que era basicamente um sapo atravessando a rua sem morrer atropelado e que existem versões também com Galinha e tal. Tudo o que consegui fazer na realidade foi um quadrado atravessando uma área e correndo de um retângulo assassino. Nada muito animador.

Game Frogger do Atari
Frogger do Atari

Já estava prestes a retornar para a Unity quando conheci outra biblioteca Javascript, o Phaser.io. Bem mais robusta e preparada, cheguei a criar o jogo exemplo que é o primeiro tutorial e que está disponível neste link. Só que, mais uma vez, não me animei muito com o resultado e as possibilidades. Parecia tudo muito trabalhoso e resolvi, agora espero que definitivamente, retomar os estudos com o Unity e já focando em iniciar meu primeiro game de verdade, ideias não faltam e, supostamente, já tenho até um roteirista para cuidar da história…

Próximos passos:

Comprometimento realizado agora é seguir em frente e torcer para que, no meio do percurso, eu não desista pela 37º vez. Desmotivacionais à parte, a verdade é que pretendo ir até o fim simplesmente porque me comprometi online e isso, com toda certeza, vale mais do que promissória em loja de departamento.

A ideia é seguir com mais estudos básicos e mais um último “tutorial mágico” para finalmente apertar a opção no menu “Novo projeto”. Daí pra frente é rumo ao estrelato, com toda a certeza (mentira!). Tem como dar errado? Sim, de diversas formas e possibilidades. É possível que não dê em nada mais uma vez? Possibilidades reais e bem grandes sim senhores, mas se eu acredito que um dia o Vitória irá me dar uma alegria*, porque não é possível que eu consiga lançar ao menos um joguinho?

Em um próximo post irei apresentar o resultado dos meus estudos iniciais e as escolhas que farei para meu primeiro game que, agora falando com mais entusiasmo, vai ser muito legal


*Acredito porra nenhuma, só deixei assim pra ficar menos deprimente a conclusão do texto.

Queria ser astronauta mas tudo o que consegui na vida foi cair de um carro em movimento, fissurar meu crânio andando de skate e zerar Alex Kid in The Miracle World no Master System. Nas horas vagas vejo filmes que ninguém conhece, mato monstros que não existem e torço por um time que nunca vence.

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