Crítica | Tully

Depois do filme Juno, é bom ver o diretor Jason Reitman e a roteirista Diablo Cody trabalhando juntos de novo. Em Tully, o tema da maternidade é abordado novamente, mas desta vez a personagem principal lida com os dramas da chegada de um terceiro filho.

Se ser mãe já não é, por si só, uma tarefa simples, imagine quando a licença maternidade é um benefício de apenas 12 semanas e não remunerado? No longa metragem, Marlo, interpretada por Charlize Theron, já é mãe de duas crianças e à espera do terceiro. Para complicar mais, um de seus filhos é o que os americanos chamam de “atípico” e necessita de cuidados mais específicos.

No Brasil, por exemplo, uma família de classe média conseguiria contratar uma babá ou colocar as crianças em uma creche. Entretanto, nos Estados Unidos a realidade é outra e apenas pessoas com muito dinheiro conseguem arcar com esse tipo de despesa sem sacrificar prioridades no orçamento familiar.

E é com a ajuda de um parente mais abonado que Marlo recebe um presente inusitado: a possibilidade de contratar uma babá noturna. A profissional vai à casa dos clientes e, durante a noite, cuida do bebê, enquanto a mãe da criança dorme. E é assim que Tully (Mackenzie Davis) surge na história.

Além de ser praticamente uma Mary Poppins da vida real e ajudar Marlo com o recém-nascido, a babá se compromete a cuidar também da protagonista e ambas constroem uma relação que vai além da relação profissional.

Tully, foto, Mackenzie Davis

As conversas entre as duas são os melhores momentos do filme. A troca de experiência entre elas é fascinante por causa da diferença de idade. A química entre Theron e Davis é excelente e por isso a relação entre elas funciona muito bem. As duas atrizes esbanjam carisma. É fácil sentir empatia por elas e entender pelo que estão passando.

O roteiro de Diablo Cody é muito bom por apresentar personagens tão humanas e profundas, e tira ótimos momentos da relação entre Marlo e Tully. Embora a história capte bem a realidade da situação da mulher na condição de mãe, o filme ainda consegue ser leve sem deixar de ser, em momento algum, realista.

O diretor Jason Reitman já trabalhou junto com Cody e Theron em “Jovens Adultos”. Os 3 juntos realizam, uma vez mais, em Tully, uma película extremamente divertida e que, de maneira inteligente, aborda um tema complexo de forma bem sucedida: maternidade. O filme é curto mas muito eficiente em apresentar seu propósito. Talvez a conclusão não seja muito criativa mas, dentro da narrativa, faz bastante sentido.

* Texto revisado por Elaine Andrade


Uma frase: – Sarah: “Mãe, o que tem de errado com o seu corpo?”

Uma cena: Marlo e Tully saindo juntas para uma balada.

Uma curiosidade: Charlize Theron engordou quase 23 kg para o papel de Marlo em apenas três meses e meio. Para isso, a dieta da atriz teve como base muita comida processada e fast food. Depois ela demorou 1 ano e meio para voltar ao seu peso. Além disso, a atriz sofreu depressão pela primeira vez na vida ao fazer o filme, em parte por causa do ganho de peso e pela pressão em ter que perder.


Tully, cartazTully

Direção: Jason Reitman
Roteiro:
Diablo Cody
Elenco: Charlize Theron, Mackenzie Davis, Mark Duplass e Ron Livingston
Gênero: Comédia, Drama
Ano: 2018
Duração: 96 minutos

Analista de sistemas nascido em Salvador (BA) em 1980, mas atualmente morando em Brasília (DF). Cinema é sem dúvidas o meu hobby favorito. Assisto a filmes desde pequeno influenciado principalmente por meus pais e meu avô materno. Em seguida vem a música, principalmente rock e pop.

2 thoughts on “Crítica | Tully”

  1. Devo assistir (em casa, shhhh)

    Quando li a respeito, à primeira vista, me pareceu uma continuação “espiritual” de Jovens Adultos, filme o qual achei meieiro.

    Sua crítica me deixou animado, assim que chegar na hora da pipoca assisto 🙂

  2. Finalmente assisti e achei interessante a visão sobre o papel do pai na criação dos filhos. Tem umas cutucadas massas que o filme dá e que são interessantes.

    Gostei do filme de forma um pouco mais moderada que a sua, mas sem dúvidas é uma produção que tem suas qualidades.

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