Crítica | Han Solo: Uma História Star Wars

Han Solo é, sem dúvidas, uma das figuras mais queridas e icônicas do universo de Star Wars. O carisma e o legado do emblemático mercenário foram determinantes na decisão da Disney de fazer um filme sobre o personagem — primeiro após a compra da franquia da LucasFilm. Mas será que era mesmo necessário contar o passado do famoso piloto nos cinemas? Os desafios eram inúmeros. O principal deles era encontrar um ator que estivesse à altura do excelente trabalho de Harrison Ford na trilogia original da saga. Após assistir “Han Solo: Uma História Star Wars“, pode-se dizer que o estúdio acertou na execução do longa.

O filme dirigido por Ron Howard mergulha na origem do protagonista para mostrar como Han Solo se tornou o personagem que conhecemos, e aproveita para preencher algumas lacunas da trilogia original de Star Wars. Dentre elas, o surgimento da amizade do mercenário com Chewbacca e a origem do sobrenome de Han.

Inicialmente, o longa esbarra na tentativa de transpor as diferenças físicas entre o ator Alden Ehrenreich e Harrison Ford. O novo protagonista dá vida ao jovem Solo sem tentar imitar a interpretação icônica de Ford. Ao longo do filme, no entanto, algumas características marcantes de Han, como o sorriso de canto de boca, são recursos utilizados também por Alden. No primeiro ato da história, Solo não lembra em nada o personagem clássico, mas no desenrolar do filme, a transformação funciona.

Han Solo: Uma História Star Wars, Han Solo e Chewbacca na Millennium Falcon

O filme começa um pouco confuso ao apresentar o local onde o personagem vivia, que não lembra, inicialmente, o universo que estamos acostumados a ver em um longa de Star Wars. Apesar disso, a narrativa se desenvolve bem e, após um salto temporal, o roteiro encontra o seu ritmo. Surgem novos personagens, como Tobias Beckett — interpretado por Woody Harrelson, que acrescentam muito à história.

Nessa história, os novatos têm vantagem, já que não existe nada estabelecido sobre eles na saga e, por isso, há mais liberdade para desenvolvimento dos personagens. Harrelson é o grande destaque do longa e seu Tobias funciona muito bem como mentor e inspiração para Solo, contribuindo diretamente para a formação de caráter do protagonista. Outro novo personagem importante é Qi’ra, interpretada por Emilia Clarke, que surge inicialmente como um interesse romântico de Solo, mas apresenta muito mais do que isso, constituindo-se em mais uma personagem feminina forte do universo Star Wars. E não poderia faltar um dróide, que pela primeira vez é feminina, chamada L3, dublado por Phoebe Waller-Bridge, que garante boas risadas com sua atitude libertária.

Ainda assim, são os personagens clássicos que chamam mais a atenção dos fãs. Além do próprio protagonista, temos Chewbacca — agora interpretado por Joonas Suotamo, e claro: Lando Calrissian ❤, que Donald Glover apresenta com maestria, roubando a cena quando aparece. Glover conseguiu achar um ótimo equilíbrio entre os maneirismos de Billy Dee Williams e sua própria encarnação do personagem. As cores do seu figurino e seu estilo também chamam a atenção, ainda mais que o filme tem uma fotografia bem escura.

Han Solo: Uma História Star Wars, Lando Calrissian, Donald Glover

Falando em fotografia escura, isso atrapalha bastante ao assistir o filme em cópia 3D, já que o formato escurece ainda mais, ficando até difícil enxergar determinadas coisas na tela. Apesar disso, esse talvez seja um dos filmes mais “coloridos” de Star Wars, presente em figurinos e cenários. Isso é também um pouco do reflexo de uma história mais juvenil, sem uma carga dramática, principalmente familiar, tão forte quanto nos outros longas da franquia. O clima de aventura espacial é mais leve e permite que o roteiro utilize melhor o lado cômico, sem atrapalhar na dramaticidade da narrativa.

A trilha sonora de John Powell contribui bastante para manter o clima de aventura. O compositor é inteligente e utiliza músicas clássicas da franquia, escritas por John Williams, para os momentos mais icônicos do filme que remetem diretamente ao universo de Star Wars. Um exemplo é quando Han Solo entra pela primeira vez na Millennium Falcon, momento em que dificilmente um fã não se emocionará.

Han Solo: Uma História Star Wars” funciona muito bem ao apresentar a origem de Han Solo, superando os desafios de narrar a história do carismático mercenário na pele de outro ator. O filme é uma ótima aventura especial que se encaixa de forma coesa dentro do universo cinematográfico de Star Wars, que serve também para confirmar algo importante sobre o protagonista: Han Solo atirou primeiro!


Uma frase: – Tobias Beckett: “Se você considerar que todos vão traí-lo, nunca vai se decepcionar.”

Uma cena: A cena de roubo ao trem.

Uma curiosidade: Phil Lord e Christopher Miller deixaram a direção do longa em junho de 2017, faltando 3 semanas para terminar de filmar a fotografia principal, alegando diferenças criativas irreconciliáveis com a produtora Kathleen Kennedy e o roteirista Lawrence Kasdan.


Han Solo: Uma História Star Wars (Solo: A Star Wars Story)

Direção: Ron Howard
Roteiro:
Jonathan Kasdan e Lawrence Kasdan
Elenco: Alden Ehrenreich, Woody Harrelson, Emilia Clarke, Donald Glover, Thandie Newton, Phoebe Waller-Bridge, Joonas Suotamo, Linda Hunt, Jon Favreau e Paul Bettany
Gênero: Ação, Aventura, Fantasia
Ano: 2018
Duração: 135 minutos

Analista de sistemas nascido em Salvador (BA) em 1980, mas atualmente morando em Brasília (DF). Cinema é sem dúvidas o meu hobby favorito. Assisto a filmes desde pequeno influenciado principalmente por meus pais e meu avô materno. Em seguida vem a música, principalmente rock e pop.

5 thoughts on “Crítica | Han Solo: Uma História Star Wars”

  1. Adorei a Droide revolucionária mas Alden e Clarke tem química zero, ou como diria Saldanha, química negativa. Alden, confesso que esperava menos dele, mas ele está apenas médio ruim. Já Clarke, ainda que sua personagem seja escrita de uma maneira interessante, é MUITO fraca como atriz.

    O melhor de Solo está em seus personagens secundários e na certeza que sim, dá pra se explorar o universo expandido de Star Wars de uma maneira interessante. Precisamos fugir dessa onda de contar passado de personagens já consagrados.

    Não achei o filme ruim, até me diverti na maior parte do tempo, mas não daria mais que 3 Bacons para Solo.

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