Crítica | Deadpool 2

O primeiro longa de “Deadpool” surpreendeu por seguir um tom mais “adulto”, no sentido de utilizar violência e palavrões sem se importar em ter uma classificação etária mais alta. No entanto não foi bem isso que chamou a atenção no filme, mas sim a sua atitude de não se levar a sério em nenhum momento, sempre brincando com os padrões de filmes de super-heróis. Afinal de contas, ele é um herói da Marvel, só que um pouco diferente dos outros. Após o sucesso, era natural que fosse realizada uma continuação.

Deadpool 2” conta com a direção de David Leitch, de “Atômica” e “John Wick”, e segue o mesmo estilo do filme anterior. Se no primeiro longa a idéia era fazer uma paródia de história de origem misturada com comédia romântica, na continuação o principal tema é montar uma equipe de apoio para o protagonista. Após a Marvel reunir seus principais personagens em “Vingadores: Guerra Infinita”, agora é a vez de Wade montar a sua.

Deadpool está dentro do universo Marvel da Fox, do qual os X-Men também fazem parte, então seria muito fácil reuní-los no mesmo filme. Entretanto não é esse o objetivo do filme, mas sim fazer uma paródia disso. O próprio protagonista faz piada a respeito, falando que só tem mutantes de segunda linha, como Colossus – que participou do longa anterior. Isso diz muito sobre “Deadpool 2”, já que por mais que ele seja mais ambicioso e grandioso como as continuações costumam ser, ele não deixa de lado o seu espírito de zoeira.

A principal novidade do filme é a presença do personagem Cable, interpretado por Josh Brolin. Ele vem do futuro com o objetivo de eliminar uma pessoa, porém Deadpool não vai deixar que ele cumpra seu objetivo. Falar mais sobre isso da história pode estragar as surpresas, mas é importante comentar que a narrativa parece um pouco perdida no início, mas felizmente consegue se encontrar e fazer sentido no final. Contudo, a história surpreende justamente por não seguir o caminho óbvio, seguindo por uma trajetória mais absurda e caótica.

Deadpool, Wade/Deadpool e Weasel

A presença de Brolin é curiosa, já que o ator também interpreta o vilão Thanos no filme dos Vingadores. Inicialmente Cable parece perdido no universo de Deadpool com o seu tom sério, mas aos poucos ele se adapta e funciona muito bem. O ator roubou a cena em Guerra Infinita, porém aqui ele está mais contido e não tenta tirar o protagonismo de Ryan Reynolds. A parte engraçada dessa presença dupla em diferentes universos da Marvel são as piadas do filme, como por exemplo quando Deadpool chama o personagem de Thanos, em uma ótima mistura de referência pop com metalinguagem, que permeia a maioria das piadas do filme.

Isso representa bem que o longa não está preocupado em ser coerente, mas sim engraçado. Isso não deixa de ser uma virtude do filme, já que ele mesmo está consciente dos seus próprios defeitos e problemas, fazendo questão de apresentá-los ao espectador. Em muitos momentos Deadpool reclama do roteiro preguiçoso, que inclusive tem o próprio Ryan Reynolds como um dos roteiristas. Esse é um recurso inteligente e dessa maneira quem está assistindo “Deadpool 2” lembra que não deve levar a história a sério, assim como seus personagens estão fazendo.

O principal destaque do filme é Ryan Reynolds, que mais uma vez usa todo o seu talento e carisma para comandar o filme como Deadpool. É interessante notar como o ator transforma o personagem em uma figura adorável, apesar de toda a sua cretinice, e como ele consegue até emocionar um pouco, mesmo sem abrir mão do lado cômico. E mais uma vez ele está disposto a brincar inclusive consigo mesmo, seja como protagonista ou como pessoa, mantendo o clima de metalinguagem da narrativa.

Na parte técnica, a qualidade do primeiro filme se mantém, apresentando ótimos efeitos visuais e boas cenas de ação. A montagem utiliza uma estrutura parecida do anterior, usando um flashback logo após o início da história para depois voltar ao presente, dando um ritmo ágil à narrativa. Já a trilha sonora de Tyler Bates é interessante por dar um tom heróico ao longa, contrastando com o humor, mas lembrando que é uma história de super-herói apesar de tudo. As músicas escolhidas, por outro lado, reforçam a paródia, com canções de divas pop como Céline Dion, Barbara Streisand e Cher.

Em resumo “Deadpool 2” se mantém na qualidade, seguindo mesmo tom satírico em relação aos filmes de super-herói que o transformou em seu principal diferencial. O longa reserva inúmeras surpresas, dentre elas ótimas participações especiais, além de piadas fantásticas envolvendo referências pop e metalinguagem. Não percam de jeito nenhum as cenas durante os créditos que são hilárias.


Uma frase: – Deadpool (falando para Cable): “Manda ver, Willy Caolho.”

Uma cena: Wade/Deadpool e Weasel entrevistando os candidatos para montar o grupo X-Force.

Uma curiosidade: Diferenças criativas com Ryan Reynolds fizeram com que Tim Miller não voltasse como diretor para a sequência de 2016. Miller chegou a dizer que “não queria fazer um filme estilizado que custasse 3 vezes o orçamento”.


Deadpool e Cable, cartazDeadpool 2

Direção: David Leitch
Roteiro:
Rhett Reese, Paul Wernick e Ryan Reynolds
Elenco: Ryan Reynolds, Josh Brolin, Morena Baccarin, Julian Dennison, Zazie Beetz, T.J. Miller, Brianna Hildebrand e Jack Kesy
Gênero: Ação, Aventura, Comédia
Ano: 2018
Duração: 119 minutos

Analista de sistemas nascido em Salvador (BA) em 1980, mas atualmente morando em Brasília (DF). Cinema é sem dúvidas o meu hobby favorito. Assisto a filmes desde pequeno influenciado principalmente por meus pais e meu avô materno. Em seguida vem a música, principalmente rock e pop.

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