Crítica | A Noite do Jogo (Game Night)

A Noite do Jogo chega para tirar o humor do espectador da zona de conforto. Os diretores Jonathan Goldstein e John Francis Daley utilizam doses certas de ação e comédia para narrar a aventura pitoresca de um grupo de amigos da classe média americana — que adora se reunir para passar a noite disputando partidas de trívia, jogos de tabuleiros e mímica — num jogo de assassinato e mistério.

Os personagens principais do longa são Max (Jason Bateman) e Annie (Rachel McAdams), um casal competitivo que se vê desafiado quando o irmão de Max, Brooks (Kyle Chandler) — rico e atraente, chega decidido a organizar um jogo no qual uma das pessoas do grupo é sequestrada e o restante deve investigar o paradeiro da vítima. A misteriosa brincadeira se transforma numa desesperada e real tentativa de resgate.

Em vários momentos, o filme faz piada com a quebra da expectativa, com situações desagradáveis e desconfortáveis para o público. Essa receita garante boas risadas também quando aliada com citações e referências à cultura pop. A boa química entre os atores e a construção — ainda que superficial — dos personagens facilita a criação de uma relação de empatia com o espectador e consegue tornar verossímil até as cenas mais absurdas.

Jesse Plemons — conhecido recentemente por interpretar o excêntrico Robert Daly em USS Callister da quarta temporada de Black Mirror — vive novamente o papel de um homem solitário e com problemas de relacionamento amoroso e interpessoal. O seu policial Gary é, sem dúvida alguma, o personagem mais engraçado de A Noite do Jogo. Dentre as demais atuações, as de Billy Magnussen (Ryan) e do protagonista Jason Bateman (Max) também se destacam no filme.

A Noite do Jogo, foto

Tecnicamente, o longa acerta na trilha sonora e na fotografia. As cenas de ação são divertidas e bem coreografadas. Uma delas, em especial, chama atenção pelo uso inteligente de um plano-sequência longo, no qual o grupo de amigos corre dentro de uma mansão. Além disso, algumas transições simulam a aproximação do olhar do espectador sobre uma maquete lembrando um tabuleiro de jogo até o zoom da realidade dos acontecimentos.

Em síntese, A Noite do Jogo entrega, com ousadia, o humor prometido e que causa estranhamento no trailer. É surpreendente como comédia e correto como filme de ação. Não cansa o espectador com piadas pastelão, porque sabe dosar o momento de usá-las. E ainda brinca e ironiza o uso de plot twists como ferramenta de narrativa, que tem se tornado cada dia mais comum no cinema.


Uma frase: – “Essa é uma mesa de vidro forte”.

Uma cena: A cena em que Max tenta limpar o sangue que escorreu de seu braço para o chão e sujou o cachorrinho de Gary.

Uma curiosidade: Além de referenciar os filmes de Quentin Tarantino; Pulp Fiction (1994) e Django Livre (2012), o filme incluiu uma cena usando a técnica ‘one-take’ exclusiva de Tarantino.


A Noite do Jogo, cartazA Noite do Jogo (Game Night)

Direção: Jonathan Goldstein e John Francis Daley
Roteiro:
Mark Perez
Elenco: Jason Bateman, Rachel McAdams, Kyle Chandler, Sharon Horgan, Billy Magnussen, Lamorne Morris, Kylie Bunbury e Jesse Plemons
Gênero: Comédia e Ação
Ano: 2018
Duração: 100 minutos

Filha dos anos 80, a Não Traumatizada, Mãe de Plantas, Rainha de Memes, Rainha dos Gifs e dos Primeiros Funks Melody, Quebradora de Correntes da Internet, Senhora dos Sete Chopes, Khaleesi das Leituras Incompletas, a Primeira de Seu Nome.

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