Crítica | Altered Carbon (Primeira Temporada)

No dia anterior a estreia de Altered Carbon vi uma notícia que dizia que esse seriado pretendia ser maior do que Game of Thrones. Uma declaração obviamente pretensiosa e estranha. Depois de ser torturado por 10 episódios que beiram o insuportável pude concluir que somente um maluco falaria isso. Fui em busca de tal declaração e vi que na verdade o ator Joel Kinnaman disse que o investimento feito em Altered Carbon foi maior do que três temporadas somadas de Game of Thrones. Menos mal. Mas é mais uma prova de que um orçamento gigantesco não é sinônimo de qualidade.

Com muitas expectativas fui conferir essa mais nova produção Netflix. Ficção científica é um dos meus gêneros preferidos e o trailer de Altered Carbon despertou minha curiosidade. A ideia básica aqui é um futuro distópico no qual a morte é quase obsoleta. A essência de uma pessoa é guardada em um tipo de cartucho que fica na própria pessoa. Caso a sua ‘capa’ morra, o cartucho pode ser transferido para outra ‘capa’. Se o cartucho for destruído aí é adeus, a não ser que você tenha um backup, que é caríssimo. Um Matusa contrata um homem chamado Takeshi Kovacs para investigar a sua própria morte. Esse Matusa está vivo, é claro, mas ele quer saber quem cometeu o ato e seus motivos.

Prepare-se para uma enxurrada de nomes e jargões. Para tentar deixar as coisas menos confusas existem diversos diálogos expositivos que podem trazer um pouco de luz. Demora alguns episódios para você se acostumar com esse mundo.

Analisando os aspectos técnicos, Altered Carbon se sai bem. Esse mundo futurista é cheio de detalhes interessantes, ainda que não muito originais. Em termos visuais a comparação com Blade Runner é válida. As luzes de neon e uma atmosfera noir se fazem presentes. Há cenas de ação bem coreografadas e um uso eficiente da câmera lenta em alguns momentos. O problema é que é difícil se importar com qualquer personagem, portanto o resultado das inúmeras brigas se torna irrelevante. De que adianta cenas tecnicamente bem realizadas se não há carga emocional? Certos personagens me incomodaram bastante. A policial Ortega, por exemplo, parece ter tomado banho em um mar de clichês. As reações dela chegam a irritar.

Altered Carbon oferece pinceladas sobre temas como a vida e alma, mas nunca os aprofunda. O conteúdo é extremamente raso, pseudofilosofia pura eu diria. Sobra para nós acompanharmos a investigação de um mistério que desperta pouco ou nenhum interesse. A trama progride aos trancos e barrancos, sem brilho. Temos uma sequência violenta aqui, uma nudez gratuita ali e muitas forçadas de barra. Quando estava no quinto episódio minha vontade era desistir de uma vez, mas me mantive firme. O ruim é saber que perdi 10 horas da minha vida diante de um seriado superestimado como esse.

Se você assistiu a primeira temporada e gostou, bom para você. Você não vai ter essa sensação de ter desperdiçado o seu tempo como eu tive.

Fã de sci-fi que gosta de expor suas opiniões por aí! Oinc!

One thought on “Crítica | Altered Carbon (Primeira Temporada)

  1. Tem gosto para tudo, pena que você não tenha. Não gostei da sua crítica, mas respeito-a! Filme bem feito, ótima fotografia, criatividade surpreendente e uma estória intrigante e original! As mesmice que o crítico alega, alguns fatos tem que seguir o habitual para que compreenda a mensagem. Recomendo.

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