Review | Dark – 1ª temporada

Antes de qualquer coisa é preciso deixar algo bem claro: Dark não é inspirada, não é prima, tampouco é parecida com Stranger Things. Enquanto ST é uma série de aventura, voltada para toda a família, com um ar nostálgico e colorido retratando a leveza dos anos 80; em Dark encontramos uma série voltada ao público jovem e adulto, com uma temática ligada a dramas familiares e questões relacionadas a ficção cientifica em um ambiente constantemente pesado, melancólico e pessimista. A paleta de cores é sempre escura e a década de 80 vem para mostrar todo um lado sombrio dos personagens.

Com cada coisa em seu lugar, agora sim podemos falar de Dark! Aliás, pra falar de Dark é preciso tirar tudo do seu lugar, do seu tempo e do que você acha que sabe. A história se passa em uma cidade no interior da Alemanha, no ano de 2019,  retratando o cotidiano de quatro famílias que tem suas vidas  impactadas com o desaparecimento de  um adolescente e posteriormente de uma criança. Os personagens são trabalhados de forma gradual e o que inicialmente parece uma trama focada em um grupo de adolescentes, expande-se para os adultos mais próximos e depois para a adolescência desses adultos. Parece confuso? Mas é confuso mesmo. Para conhecer a fundo os personagens de Dark é preciso conhecer a história de cada um, como se tornaram o que são, como o caminho deles se cruzaram, os segredos… A ferramenta utilizada para nos arremessar nesse caleidoscópio é o êxtase da ficção científica. Mais do que isso é dar spoilers desnecessários.

Muito da minha experiência bem sucedida com Dark foi pelo fato de não saber absolutamente nada a respeito da série. Vi o trailer no Netflix e me permiti não ver mais nada. Fui levada pelo mistério, curiosidade e interesse em saber mais a cada episódio. Impossível não maratonar. Se você já assistiu a série, te convido a continuar lendo o texto e contar o que achou. Se você não leu, sugiro que pare agora e corra pra corrigir esse erro!

ALERTA SPOILER

Uma das coisas que mais confundem em Dark é a quantidade de persongens e suas versões no passsado/ futuro. Inicialmente você se perde e esquece quem é quem mas como em alguns episódios é possivel ver frames dos personagens e suas versões em paralelo, fica mais fácil identificá-los. Mas se ainda assim você está confuso, vou te dar uma ajudinha:

Imagem do site Mundo Estranho

 

Considerações:

    • Noah é Bartosz mais velho?
    • Qual é o verdadeiro passado de Aleksander?
  • Jonas é a chave de todo o jogo? Ele sempre é um ponto de luz na trama, podemos perceber isso na jaqueta amarelo ovo que usa na floresta.
  • Katharina tem algum segredo que ainda não descobrimos.
  • Interessante percebe como as histórias se repetem. Tronte traia a esposa enquanto o filho Mads desaparecia, Ulrich também fazia o mesmo enquanto Mikkel sumia. Regina apesar de não demonstrar isso na adolescencia, assume o papel da mãe como empresária que por sua vez vira uma mulher misteriosa, parecendo uma espécie de sacerdotisa, icógnita, detentora das respostas que ainda não sabemos.
  • Ninguém percebeu a foto de Mikkel no mural da escola com a turma de ´86? Ninguém lembra da fisionomia dele? No ano de 2019, um adolescente aparece com aquele tipo de ferimento na floresta onde outras duas crianças já sumiram e não ocorre a nenhuma autoridade pedir um exame de DNA? Uma busca forense mais cuidadosa? Aquela foto de Ulrich na delegacia em 1953 não forçou a barra?
  • Apesar dessas pequenas falhas achei a série 5 bacons!

Vem contar as suas considerações aí nos comentários!

 


5 Kevin Bacons

Uma frase: “Não sabemos como eram nossos pais antigamente, não conhecemos nossa família”

Uma cena: “Quando assistimos pela primeira vez em frames simultâneos, os personagens no passado e no presente”

Uma curiosidade: Primeira produção alemã da Netflix.

 

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DARK

Direção: Baran bo Odar
Roteiro:  Jantje Friese, Martin Behnke, Ronny Schalk, Marc O. Seng, Baran bo Odar
Elenco:  Oliver MasucciKaroline EichhornJördis Triebel, Louis Hofmann, Maja Schöne, Stephan Kampwirth, Daan Lennard Liebrenz, Andreas Pietschmann.
Gênero: Crime, Drama, Mistério
Ano: 2017
Duração: 10 episódios

 

Uma criatura meio doida que lembra a irmã do Ferris Bueller, finge que é nerd, adora filmes de terror mas tem medo de comédias românticas.

3 thoughts on “Review | Dark – 1ª temporada”

  1. Terminei de ver agora, Dani.

    Minha experiência foi similar à sua pois também sabia pouco ou quase nada.

    A série tem uma pegada de filosofia alemã muito forte, também. Não consegui exatamente determinar qual autor (talvez Nietzsche, ou Schopenhauer), mas está lá, presente, na questão do determinismo, no conflito entre destino e livre arbítrio, principalmente.

    *** A PARTIR DAQUI MEU COMENTÁRIO TEM SPOILERS ***

    ***

    ***

    ***

    Porém acharia bem melhor se a série se encerrasse em uma temporada apenas.

    Explico: a série a princípio apresenta uma proposta e um tom narrativo que varia entre o mistério, o suspense e a ficção científica. No fim da temporada dá a entender que ela deve derivar para algo de escopo mais amplo, que me parece recorrer a um tema já um pouco desgastado na TV atual, o pós-apocalíptico. Algo, aí, talvez próximo da série de TV dos 12 Macacos, principalmente pela questão da viagem no tempo envolvida. Não sei se isso seria legal. Pelo menos não considerando como a série começa.

    Mas vamos ver. Se eles conseguem desenvolver bem essa coisa do conflito entre as facções pelo controle da tecnologia de viagem no tempo, pode ficar interessante.

    P.S. : De fato a série sugere bastante que Noah pode ser Bartosz. Mas eu tenho a sensação que puder não ser.

  2. Achei a série muito boa, vi depois de passado todo o frisson e ainda assim consegui evitar spoilers. Acho que ela é muito competente em vários aspectos, mas de fato essa linha genealógica atrapalha, parecem até as famílias sem fim de Game of Thrones, pior ainda é acompanhar via o tempo. As vezes vc se perde.

    Tem também os furinhos que você comentou no seu texto, mas ainda assim achei bem boa tb. O final abriu pra uma parada perigosíssima. Nesse quesito eu concordo com Pox, talvez terminar só nessa temporada fosse mais acertado.

  3. Um pouco confuso pelo excesso de personagens em tempos diferentes, é verdade, mas fica fascinante a medida que você consegue ver quem é quem.

    Também não gostei do caminho apontado pelo final. Vamos aguardar…

    4 Bacons pra mim.

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