Crítica | Detroit em Rebelião (Detroit)

É sempre bom relembrar nossa história recente e termos uma noção do quanto ainda precisamos evoluir em determinadas questões. “Detroit em Rebelião“, novo filme de Kathryn Bigelow e escrito por Mark Boal (ambos de “Guerra ao Terror“) mostra uma situação ocorrida em 1967, na cidade de Detroit. Por dias, o lugar tornou-se palco de uma guerra civil entre a polícia e pessoas negras. A diretora se inspirou nas manifestações ocorridas na cidade de Ferguson, em Agosto de 2014, depois que um policial branco matou um jovem negro desarmado. Parece que a história tragicamente continua a se repetir em dias atuais.

O filme começa com uma animação que contextualiza a situação na época. A próxima cena é de uma ação policial em uma festa de pessoas negras e que resulta na prisão de muita gente. Esse foi o estopim para o levante e os conflitos saíram do controle. Após o início do confronto a história apresenta os personagens.

Basicamente temos 3 personagens principais. O primeiro é Melvin (John Boyega), um jovem negro que não quer se envolver no conflito e trabalha como segurança de uma pequena loja de conveniência. O segundo é o policial Philip Krauss (Will Poulter), que representa o típico homem branco racista. E o terceiro é Larry Reed (Algee Smith), um jovem cantor negro de uma banda chamada The Dramatics. Ele sonha em ter uma carreira bem sucedida.

Larry está com o amigo Fred (Jacob Latimore) em um hotel na cidade e eles socializam com outros jovens negros e duas garotas brancas. Um deles resolve fazer uma brincadeira sem graça: disparar uma arma usada para dar a largada em corridas e assustar policiais, da janela. Não demora muito e um grupo de policiais liderado por Krauss chega ao local e começa o tumulto.

Bigelow é uma diretora que sabe muito bem como construir o clima de tensão. Ela fez isso com muita propriedade em “Guerra ao Terror”. Em “Detroit em Rebelião” não é diferente. A decisão de apresentar aos poucos o contexto e os personagens cria, na cena do hotel, um longo clímax e leva o espectador a sentir o nervosismo da situação. A parte técnica contribui bastante para isso com uma boa trilha sonora que mantém o clima “pesado” do drama. A fotografia complementa a tensão com muitos closes nos rostos dos atores para mostrar o sofrimento deles, além de planos fechados para dar uma impressão de claustrofobia ao local.

A tortura física e psicológica dos policiais aplicada aos jovens é terrível. As cenas demonstram o abuso de poder da força policial e, principalmente, o preconceito deles, obviamente todos brancos. Sem esquecer de mencionar o sadismo e prazer dos policiais em tratar jovens negros como criminosos. Interessante notar a indignação das autoridades com relação às moças, brancas, por estarem na companhia dos rapazes negros.

Chegando ao local do tumulto, Melvin não pode fazer muita coisa a não ser assistir aos jovens serem torturados. Mas, sua atitude de “lavar as mãos” terá consequências no final da trama. Já os policiais, adivinhem o que acontece com eles?

Detroit em Rebelião” é um filme pesado, tenso e importante para nos lembrar de que a luta contra o preconceito racial é uma ferida aberta na humanidade e que ainda precisa ser duramente combatido. Fatos como o ocorrido em Ferguson deixam isso ainda mais claro e urgente.

* Texto revisado por Elaine Andrade


Uma frase: – Krauss: “Vou pressupor que são todos criminosos.”

Uma cena: A chegada da polícia ao hotel.

Uma curiosidade: Kathryn Bigelow já trabalhou com Mark Boal em Guerra ao Terror e (2008) e A Hora Mais Escura (2012). Quem também integrou o elenco de Guerra ao Terror foi Anthony Mackie.


Detroit em Rebelião (Detroit)

Direção: Kathryn Bigelow
Roteiro:
Mark Boal
Elenco: John Boyega, Will Poulter, Algee Smith, Jason Mitchell, John Krasinski, Jacob Latimore e Anthony Mackie
Gênero: Crime, Drama, História
Ano: 2017
Duração: 143 minutos

Analista de sistemas nascido em Salvador (BA) em 1980, mas atualmente morando em Brasília (DF). Cinema é sem dúvidas o meu hobby favorito. Assisto a filmes desde pequeno influenciado principalmente por meus pais e meu avô materno. Em seguida vem a música, principalmente rock e pop.

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