Clássicos | Playtime – Tempo de Diversão (1967)

Playtime foi a minha primeira incursão no cinema de Jacques Tati. Experimentei um leve estranhamento no início, mas ele logo foi se transformando em entusiasmo e admiração.

O filme mostra o desengonçado Monsieur Hulot perambulando por uma Paris cheia de modernidades. Há também um grupo de turistas americanos que contempla atrações duvidosas. As cores da cidade dão lugar ao cinza. Os habitantes tem preferência por formas geométricas retangulares e pelo isolamento. Em uma empresa, por exemplo, cada funcionário trabalha em seu próprio casulo.

O lado satírico de Playtime se faz fortemente presente quando acompanhamos o deslumbre de alguns personagens diante de invencionices pouco práticas. É divertido, também, ver o espaçoso Hulot interagindo com o ambiente de várias formas.

As coisas tornam-se ainda mais fascinantes na sequência do jantar. Utilizando a profundidade de campo com maestria, Jacques Tati trabalha com várias situações ao mesmo tempo, proporcionando momentos memoráveis. O povo vai chegando no restaurante, pedindo a comida e aos poucos vemos o despreparo dos garçons, o álcool fazendo efeito, a banda cada vez mais animada e a insanidade tomando conta.

Playtime é um filme diferente. São muitos detalhes para serem absorvidos e saboreados. É daquelas experiências cinematográficas que só tem a melhorar em uma segunda assistida.


 

Fã de sci-fi que gosta de expor suas opiniões por aí! Oinc!

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