Crítica | A Múmia (The Mummy)

A Universal resolveu criar o Dark Universe, um universo cinematográfico compartilhado que segue a mesma fórmula criada pela Marvel. No lugar dos heróis teremos os monstros clássicos do estúdio. E a primeira criatura a ganhar seu próprio longa foi “A Múmia”.

Os filmes da Múmia estrelados por Brendan Fraser eram aventuras divertidas que lembravam o espírito de Indiana Jones, mas o longa de Alex Kurtzman segue por outro caminho. O entretenimento parece ser o objetivo, mas o roteiro de David Koepp, Christopher McQuarrie e Dylan Kussman apresenta muitos problemas. Na tentativa de ser um “filme de origem”, a narrativa apresenta diversos elementos de forma expositiva e extremamente didática. Só que pouca coisa parece fazer sentido.

Nick (Tom Cruise) é uma espécie de ladrão de artefatos históricos. Ele encontra uma tumba no meio do Iraque e dentro dela um sárcofago. Ao levar o artefato para Londres para ser analisado acontece um acidente de avião ao qual o protagonista sobrevive de forma inexplicável. Mas o Dr. Henry Jekyll (Russell Crowe) – tem o motivo: Nick foi escolhido pela princesa Ahmanet (Sofia Boutella). Segundo a lenda da múmia, ela fez um pacto com Set – o deus da morte – para ajudá-lo a ressuscitar em um corpo humano.
O Dr. Jekyll é fundador de uma organização chamada The Prodigium que é responsável por combater e estudar esses monstros lendários. Assim, o filme se transforma em um jogo de “gato e rato” no qual princesa Ahmanet persegue Nick, que também é perseguido pela Prodigium, com o objetivo de capturar mais facilmente a princesa e poder analisá-la. Só que o longa vai de nada a lugar nenhum, já que após a princesa ser presa ela consegue fugir novamente e a “caçada” recomeça. A “história” se resume basicamente a isso.

Mesmo com uma história ruim, “A Múmia” poderia ao menos ter momentos divertidos com cenas de aventura e ação de qualidade. Infelizmente nem isso o longa de Kurtzman consegue realizar. As sequências de perseguição são sem graça e genéricas. Para completar, a montagem de Paul Hirsch, Gina Hirsch e Andrew Mondshein deixa o ritmo do filme arrastado e burocrático, transformando a experiência de assistir o longa em algo chato.

Nem mesmo o carisma de Tom Cruise, que sempre vende seus filmes de ação mostrando que é capaz de executar as cenas sem dublês, consegue salvar o longa. Nenhuma sequência de aventura se destaca. No máximo a cena da queda do avião é bem realizada e merece elogios, mas nada que já não tenha sido visto em outros filmes do gênero, inclusive estrelados por Cruise.

Além disso, o filme também aposta no humor, mas o timing de comédia do roteiro é terrível e nenhuma das piadas funciona dentro da narrativa. Nisso o elenco também sofre e nem mesmo o talento de Cruise consegue fazer com que esses alívios cômicos sejam bem sucedidos.
“A Múmia” é uma aventura genérica e sem graça que não é capaz de entregar um mínimo de entretenimento para o espectador. Essa apresentação do Dark Universe não mostrou a que veio em seu primeiro capítulo. O longa serve apenas para apresentar o personagem de Cruise e colocar em prática a frase do Dr. Jekyll que diz ser “preciso um monstro para derrotar um monstro”. No caso o protagonista realiza essa ação, entretanto isso é muito pouco para empolgar o público com a criação de um “universo compartilhado”.

Talvez seja melhor deixar os monstros clássicos em seus respectivos filmes de terror de origem onde eles funcionam de forma mais eficiente.


Uma frase: – Dr. Henry Jekyll: “É preciso um monstro para derrotar um monstro.”

Uma cena: A queda do avião.

Uma curiosidade: A cena de gravidade zero foi filmada em dois dias em um avião em queda. Muitos membros da equipe ficaram enjoados durante as gravações, com exceção de Tom Cruise e Annabelle Wallis.

 


A Múmia (The Mummy)

Direção: Alex Kurtzman
Roteiro: David Koepp, Christopher McQuarrie e Dylan Kussman

Elenco: Tom Cruise, Sofia Boutella, Annabelle Wallis, Jake Johnson, Courtney B. Vance, Marwan Kenzari e Russell Crowe
Gênero: Ação, Aventura, Fantasia
Ano: 2017
Duração: 107 minutos

Analista de sistemas nascido em Salvador (BA) em 1980, mas atualmente morando em Brasília (DF). Cinema é sem dúvidas o meu hobby favorito. Assisto a filmes desde pequeno influenciado principalmente por meus pais e meu avô materno. Em seguida vem a música, principalmente rock e pop.

One thought on “Crítica | A Múmia (The Mummy)

  1. Apesar dos bons nomes envolvidos na produção, “A Múmia” é um filme que não me deixou com vontade de ir ao cinema para conferi-lo.

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