Crítica | Mulher-Maravilha

A DC é meio como aquele seu amigo de longa data de quem você gosta muito, mas que nos últimos tempos tem vacilado. Bebe demais, fala alto, passa mal no carro e pisa no rabo do gato (desculpa, Saldanha. Prometo que foi a última vez).

Mulher Maravilha (2017), no entanto, remete muito mais à DC dos velhos tempos do que ao mundo sombrio, pesado e desconexo das suas últimas investidas no cinema. O filme, tal como sua protagonista, parecem ter vindo de um lugar melhor, mais nobre e idealista que o universo de pescoços quebrados e marcações de morcego em brasa que temos visto nos últimos tempos.

Sem mencionar detalhes como “finalmente temos um roteiro”

O grande diferencial de Mulher Maravilha está justamente nessa nobreza. A protagonista, Diana (Gal Gadot), não tem nenhum conhecimento sobre o nosso mundo, eis que viveu toda a vida isolada com outras Amazonas na mitológica ilha de Temiscira. No entanto, quando os horrores da I Grande Guerra batem à sua porta, ela decide abandonar o paraíso e rumar para o sujo e violento mundo dos homens não porque é obrigada, mas apenas porque é a coisa certa a ser feita.

Assim, certa de que o Ares, o deus grego, está por trás da Grande Guerra, Diana pede ao piloto americano Steve Trevor (Chris Pine) para levá-la ao front da batalha, pois acredita que o conflito terminará assim que o filho de Zeus for derrotado.

Muito mais que uma grande guerreira, Diana funciona como um raio de esperança em um mundo devastado pela guerra, inspirando aqueles ao seu redor a fazer o bem — algo que, repiso, o universo cinematográfico da DC estava precisando muito.

Os temas de fazer o bem e inspirar bondade foram preocupações evidentes no trabalho da diretora Patty Jenkins, que inclusive fez questão de homenagear o Super-Homem de Richard Donner com uma cena tão icônica quanto a clássica abertura da camisa para revelar o uniforme por baixo da roupa.

Como se não bastasse, Diana se preocupa com vidas humanas, fala em defender os indefesos e audaciosamente salta das trincheiras para o meio da Terra de Ninguém, trazendo para o universo DC o heroísmo que nós estamos acostumados a ver nas histórias em quadrinhos.

Entretanto, mesmo com todos esses méritos, o filme não é perfeito. O último ato deixa cair a peteca, com decisões preguiçosas de roteiro e descambando um pouco para a pieguice. Personagens tomam decisões sem sentido, o grande vilão é menos emblemático do que poderia ser e a temática da vitória pela força do amor já foi, convenhamos, batida e rebatida.

O final um pouco frustrante, no entanto, não chega a comprometer o filme. Mulher Maravilha é uma das melhores obras baseadas em quadrinhos que vimos nos últimos tempos e talvez seja o primeiro indício de que o universo estendido cinematográfico dessa grande editora esteja finalmente entrando nos eixos.

Que bom que você voltou, DC. Estávamos com saudades.


Uma frase: – “Não é sobre merecimento. É sobre o que eu acredito.”

Uma cena: Diana revelando seu uniforme na trincheira e atravessando a Terra de Ninguém — em inglês, “No Men’s Land”.

Uma curiosidade: Em nenhum momento do filme o nome “Mulher Maravilha” é mencionado.


Mulher-Maravilha (Wonder Woman)

Direção: Patty Jenkins
Roteiro: Allan Heinberg, Zack Snyder, Jason Fuchs. Baseado na personagem criada por William Moulton Marston

Elenco: Gal Gadot, Chris Pine, Robin Wright e Connie Nielsen
Gênero: Ação, Aventura, Fantasia
Ano: 2017
Duração: 141 minutos

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