Crítica | Refém do Medo

Quando vejo o nome de Naomi Watts na divulgação de qualquer filme, automaticamente me chama atenção. Ela é uma atriz talentosa e protagonizou dois remakes que gosto bastante: O Chamado (2002) e Violência Gratuita (2007). O problema é alta expectativa depositada quando vejo seu nome associado a um bom trailer. Esse foi o caso de Refém do Medo, um filme com divulgação quase inexistente e pouco alarde, mas com uma protagonista de nome forte e um trailer convincente.

No filme conhecemos a história da psicóloga infantil, Mary Portman (Naomi Watts), que após perder o marido em um acidente de carro, passou a viver sozinha com seu enteado em estado quase vegetativo. Ela vive o dilema de interna-lo em uma clínica especializada ou manter a rotina exaustiva de cuidados com ele, aliando ao seu trabalho na clínica que funciona em um anexo a casa. Sua vida muda completamente ao atender uma criança surda com problemas comportamentais e que sua tutora já está decidida a enviá-lo para um tratamento mais completo em outra cidade. Durante a noite, o pequeno Tom aparece inesperadamente na casa de Mary e ela pede uma chance para ajudá-lo, pois sente-se apegada aquela criança. Existe a ligação que ela faz entre ele e seu enteado, a possibilidade de ambos serem “abandonados”, a necessidade de cuidar de alguém, ser uma boa mãe…

O maior problema vem exatamente no meio do filme quando Tom desaparece enquanto Mary está no telefone com sua tutora. Ela está isolada na casa, com uma tempestade de neve lá fora e uma criança que fugiu e agora aparenta estar lá fora no frio. A partir disso o filme desanda e perde completamente seu foco. Acredito que a ideia é fazer você se perguntar se Mary está louca, será que o garoto morreu e estamos lidando com o fantasma dele ou aquele pequeno é um psicopata mirim e está pondo em risco a vida dela e do seu enteado preso a uma cama?

A tentativa de um plot twist é constrangedora e você percebe que a única justificativa é colocar o carimbo de “Te Enganei”. Não tem o mínimo de cabimento o caminho que levam a história sem contar com o personagem secundário totalmente desperdiçado que é o psicólogo da psicóloga, que se mostra mais despreparado que ela visto as atitudes que ele tem no final da trama. Eu diria que o filme não é uma perda de tempo total pois gostei de rever atores de filmes/séries que gosto muito como a já citada Naomi Watts, Charlie Heaton (Stranger Things) e Jacob Tremblay (O Quarto de Jack). No mais, pode pular pois tem coisas mais interessantes na Netflix.


 Uma curiosidade: O filme teve uma despesa de aproximadamente 10 milhões de dólares e arrecadou ao redor do mundo 6 milhões, ao menos até dia 21/12/2016. Não deu nem pra pagar o investimento.

 

 

 



Refém do Medo (Shut In)

Direção: Farren Blackburn
Roteiro: Christina Hodson
Elenco: Naomi Watts, Oliver Platt e Charlie Heaton
Gênero: Thriller, Drama
Ano: 2016
Duração: 91 minutos

 

Uma criatura meio doida que lembra a irmã do Ferris Bueller, finge que é nerd, adora filmes de terror mas tem medo de comédias românticas.

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