Crítica | Maverick (1994)

Maverick, é uma das mais bem sucedidas e divertidas aventuras do cinema, capaz de transcender mesmo o gênero do western.

O filme Maverick marcou época no seu lançamento (1994) com um mix de aventura, western, atores consagrados e uma das cenas mais icônicas de pôker da década do cinema. O grande feito de Maverick, porém, não é outro senão marcar a volta triunfal do gênero western – desgastado durante o final da década de 70 e toda a década de 80 – ao topo das bilheterias do cinema estadunidense.

Não é todo dia que um diretor tem o privilégio de trabalhar com um elenco encabeçado por Mel Gibson, Jodie Foster e James Garner. Assim, o diretor Richard Donner brilhou na direção da película contribuindo, principalmente, para que seu elenco de atores talentosos e bem entrosado tivesse espaço para dar aos seus marcantes personagens.

Donner também dirigiu sucessos e clássicos do cinema como Os Goonies  e O Feitiço de Áquila (1985), Superman: O Filme (1978) e a série de ação “Máquina Mortífera”. Essa última teve quatro filmes na qual o diretor firmou uma parceria sólida com os astros Mel Gibson e Danny Glover. Glover, a propósito, também faz uma ponta em Maverick, no papel de um ladrão de bancos que cruza o caminho do personagem título, interpretado por Mel Gibson, e que explora uma divertida piada interna entre os amigos referenciando diretamente à Máquina Mortífera e à famosa frase “I’m too old for this shit”.

O enredo mostra a jornada do jogador Bret Maverick (Gibson) para conseguir se inscrever no mais famoso, disputado e caro torneio de five-card draw pôquer (até  hoje uma das mais conhecidas e populares modalidades desse esporte) em todo o velho oeste, contando com uma tentadora premiação de US$ 500 mil. Nessa empreitada ele se envolverá em muitas desventuras ao lado de Annabelle Bransford (Foster) e do Marshall Zane Cooper até juntar a quantia necessária de US$ 3 mil (o que na época de faroeste era muita grana) para pagar a inscrição no torneio, e finalmente chegar ao e climático embate final sobre a mesa de feltro verde.

Sem dúvida um dos grandes destaques do filme – além do ótimo roteiro e da excelente direção – é a interpretação de Gibson, que impressiona no papel título. Diferente de longas como “Eternamente Jovem” e “O Patriota”, o ator consegue entregar um Maverick uma interpretação que reproduz de maneira quase impecável os maneirismos, sotaques e expressões de um autêntico sulista do século XIX dos Estados Unidos.

Maverick é um filme com muitas cenas cômicas, que ganham uma dimensão ainda maior graças às ótimas atuações de todo o elenco. O equilíbrio entre aventura e comédia, enfim, funciona muito bem e a diversão é garantida desde o primeiro minuto até os momentos finais. Ao lado do elenco principal temos, por exemplo, o sempre espetacular Alfred Molina, no papel de Angel, no típico estereótipo de vilão mexicano, e ninguém menos do que a lenda do gênero de western e vencedor do Oscar, James Coburn na pele do traiçoeiro Comodoro.

Além da grande direção de Donner – que aqui entrega um de seus melhores trabalhos – a fotografia é outro ponto que chama a atenção em Maverick. O diretor de fotografia, Vilmos Zsigmond, fez questão de explorar o clima ensolarado e os espaços abertos do sudoeste dos EUA garantindo um tom extrovertido que reflete a personalidade dos personagens e a linha narrativa do filme. O ótimo trabalho de enquadramento, edição, o uso frequente de cores quentes contribuem ainda mais para envolver o espectador na experiência imaginada pelo diretor. O figurino é também um show à parte, contando inclusive com uma indicação ao Oscar para a figurinista April Ferry.

Enfim, Maverick é um clássico do gênero de western e ao mesmo tempo uma excelente pedida para quem apenas adora um ótimo filme de ação e aventura, com grandes doses de humor e emoção. Donner consegue manter o espectador é envolvido com a trama quase que a todo instante, honrando assim o amado material original da bem sucedida série de TV filmada nos anos 50 e que serviu de inspiração para o longa.  Ambos os Maverick (o da TV e o do Cinema) sem dúvida deixaram sua marca na história do entretenimento.


Uma frase: “I’m too old for this shit”

Uma cena: “I’m too old for this shit”

Uma curiosidade: A série de TV Maverick que inspirou o filme contou com 5 temporadas (1957-1962) e tinha no papel título ninguém menos do que o ator James Garner, que no longa encarna o homem da lei Zane Cooper, que persegue o golpista interpretado por Mel Gibson.

 

 


Maverick

Direção: Richard Donner
Roteiro: William Goldman
Elenco: Mel Gibson, Jodie Foster, James Garner, Graham Greene, Alfred Molina e James Coburn.
Gênero: Western, Ação, Aventura e Comédia.
Ano: 1994
Duração: 127 minutos.
Graus de KB: 2 Jodie Foster atuou em Contato (1997) ao lado de Geoffrey Blake que esteve em Frost/Nixon (2008) com Kevin Bacon.

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Quadrinista e escritor frustrado (como vocês bem sabem esses são os “melhores” críticos). Amante de histórias de ficção histórica, ficção científica e fantasia, gostaria de escrever como Neil Gaiman, Grant Morrison, Bernard Cornwell ou Alan Moore, mas tudo que consegue fazer mesmo é mestrar RPG para seus amigos nerds há mais de vinte anos. Nas horas vagas é filósofo e professor.

One thought on “Crítica | Maverick (1994)

  1. bacana, meu caro MB.

    Maverick é diversão pura, ainda mais para quem gosta de pôquer.

    Você lembrou muito bem daquela referência a máquina mortífera, sem dúvida um dos melhores momentos do filme.

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