Crítica | Oasis: Supersonic

Ao invés de focar em toda a carreira da banda, o documentário Oasis: Supersonic foca no fase inicial da banda, mostrando sua rápida ascensão entre a assinatura de contrato com uma gravadora e, após 2 anos e meio com somente 2 discos, chegar até o momento de mais destaque do grupo: um show para 250 mil pessoas em Knebworth, na Inglaterra.

A estrutura e montagem do longa também são interessantes por fugir do padrão convencional de documentários. Ouvimos apenas o áudio das entrevistas feitas pelo diretor Mat Whitecross para o filme, enquanto vemos imagens, vídeos, trechos de shows e entrevistas, além de filmagens de bastidores e do arquivo da banda graças a um ótimo trabalho de pesquisa dos realizadores. Esses recursos são suficientes para contextualizar a história junto com a narração em off dos entrevistados. A forma como o filme é construído, apesar de não ser inovadora, ajuda em trazer um bom ritmo para a narrativa. Em contrapartida, cada pessoa é apresentada com uma legenda na tela, mas quando ela fala novamente nem sempre o nome reaparece, então algumas vezes é possível se perder no meio do filme sem lembrar exatamente quem é a pessoa que está falando.

Os principais entrevistados são os irmãos Liam e Noel Gallagher, os principais integrantes da banda. Noel é o que fala mais e ele não tem vergonha de falar o que acha que é verdade. Suas declarações sempre foram polêmicas desde o início da carreira e muitas vezes a mídia aproveitava para “fazer barulho” em cima das suas palavras. Como ocorreu em uma entrevista para a Mtv inglesa na qual ele fala que todo mundo consome drogas, apontando para as pessoas, e que isso era algo normal. Então no dia seguintes os jornais colocaram na manchete algo como “Noel afirma que consumir drogas é algo tão normal quanto tomar o chá das 5”. Já Liam seguia mais o estilo rockstar que se comportava como uma celebridade sem nenhuma modéstia e com um ego enorme.

Essa relação com a mídia tinha o lado positivo e o negativo. Em uma época ainda sem Internet, qualquer tipo de divulgação era bem vinda. Então essas declarações polêmicas ajudavam a divulgar a banda, por mais absurdas que elas fossem. A mídia se aproveitava para vender a “notícia” e chegou até a ir atrás dos pais dos Gallagher, que tinha abandonado a família quando eles eram pequenos, fazendo um sensacionalismo bizarro.

A banda surgiu dos subúrbios de Manchester e se tornou mais famosa que Jesus Cristo, segundo eles mesmos, então é óbvio que eles tiveram problemas em lidar com a fama rápida. Integrantes da banda tiveram problemas de stress e pediram para sair por não aguentar pressão. Enquanto outros abusaram de drogas e bebidas, como bons astros do rock, e isso quase fez a banda terminar. A primeira turnê nos EUA foi um desastre por causa da influência negativa de metanfetamina, que os deixava “acessos” sem conseguir dormir. Curiosamente a banda nunca chegou a fazer o mesmo sucesso nos EUA que fazia no resto do mundo, principalmente na Inglaterra. Eles tinham ido antes para o Japão e foi uma loucura com fãs ensandecidos no hotel e nos shows, enquanto na América ninguém sabia quem eles eram.

O documentário não funciona como apresentação da banda para quem nunca ouviu falar dela, ele é focado em quem gosta do grupo e tem interesse em saber mais sobre sua história. A relação entre os irmãos Gallagher é muito bem explorada, mostrando o quanto ela era a grande fonte de energia que movia o Oasis, mas que também foi o que causou o seu fim pelas brigas e conflitos entre eles. Conhecemos a origem da banda enquanto o filme explica um pouco do fenômeno explosivo chegando até os shows em Knebworth. Fica fácil entender o motivo do fim da banda após assistir o longa, mas o mais impressionante é pensar em como ela durou até 2009. Quem sabe o resto da história seja contada em uma futura continuação.


Uma frase: – Noel Gallagher: “A grande força do Oasis era eu e o Liam. Também foi o que acabou a banda no final.”

Uma cena: O primeiro show do Oasis nos Estados Unidos.

Uma curiosidade: ‘Supersonic’ foi o primeiro single lançado pelo Oasis e chegou apenas na posição #31 nas paradas britânicas.

 


Oasis: Supersonic

Direção: Mat Whitecross
Elenco: Liam Gallagher, Noel Gallagher, Paul Gallagher, Peggy Gallagher, Bonehead, Christine Mary Biller, Mark Coyle, Tony McCarroll, Alan McGee, Owen Morris
Gênero: Documentário
Ano: 2016
Duração: 122 minutos

Analista de sistemas nascido em Salvador (BA) em 1980, mas atualmente morando em Brasília (DF). Cinema é sem dúvidas o meu hobby favorito. Assisto a filmes desde pequeno influenciado principalmente por meus pais e meu avô materno. Em seguida vem a música, principalmente rock e pop.

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