Crítica | Crisis in Six Scenes

Woody Allen é um diretor que consegue manter um ritmo incrível de trabalho realizando um filme por ano. Não satisfeito com isso, ele fez uma série para televisão, mais especificamente para a Amazon Prime Video. Dito isso, a primeira crítica a ser feita ao seu seriado é que ele não parece algo feito para o formato televisivo. São 6 episódios de 20 e poucos minutos que na verdade parecem um filme dividido em 6 partes. Isso não é um problema, ainda mais que existem outros programas com formato parecido que fogem do tradicional.

Crisis in Six Scenes, como o próprio título diz, mostra uma crise apresentada em 6 cenas – no caso 6 capítulos. Iremos conhecer o casal Munsinger, que vive uma tranquilamente nos anos 60, apesar da turbulência pelo qual os Estados Unidos estava passando com a Guerra do Vietnã. Sidney, interpretado pelo próprio Allen, é um escritor que está tentando vender uma idéia para um programa de TV. Autor de poucos livros, seu maior sucesso foi com publicidade e propaganda. Logo, a televisão seria uma forma de ganhar mais dinheiro. Ele é casado com Kay (Elaine May), uma psicóloga que atende seus pacientes em casa.

O primeiro episódio mostra um pouco do dia a dia do casal. Eles recebem amigos em casa, assistem às notícias na televisão sobre os problemas do país e pensam, principalmente Kay, que deveriam estar fazendo um algo a mais para mudar a situação. Os Munsinger também estão com um hóspede em casa: Allen Brockman (John Magaro), um jovem que tem dúvidas se quer seguir o mesmo caminho do pai. Brockman está prestes a se casar com Ellie (Rachel Brosnahan), eles foram apresentados um ao outro por Sidney.

A partir do segundo episódio é que a dinâmica da série é realmente apresentada com a chegada de Lennie Dale (Miley Cyrus), uma jovem ativista que está em luta para mudar os problemas dos EUA. Ela está sendo procurada pela polícia e se esconde na casa dos Munsinger. A moça é filha de um casal que ajudou Kay quando era mais jovem, então a senhora Munsinger se sente na obrigação de ajudar. Quem não fica feliz com a situação é Sidney que fica o tempo todo preocupado em estar ajudando uma fugitiva da polícia.

A presença de Lennie muda toda a dinâmica da vida dos Munsinger e também do seu hóspede. Tanto Brockman quanto Kay ficam encantados, cada um do seu jeito, com o engajamento da moça. O primeiro se encanta com a beleza e os pensamentos, enquanto a segunda é influenciada pelo ativismo.

Os diálogos são o grande destaque da série, assim como nos filmes de Woody Allen. Sempre rápidos e cheios de humor, críticas e muita ironia. É bom ver o diretor também na frente das telas e ele mostra que ainda está em condições de atuar bem. Foi idéia dele colocar Miley Cyrus no elenco e a atriz surpreende se adaptando muito bem ao estilo de Allen. As conversas entre os dois são bem divertidas já que eles estão o tempo todo em conflito, seja por causa do modo de agir da moça ou pelo fato dela estar comendo da comida dele.

Já as cenas entre Cyrus e Magaro parecem caminhar para o lugar comum do casal se apaixonando, mas o roteiro de Allen foge desse clichê ao mostrar uma mulher mais interessada em sua luta do que no amor. No entanto a influência dos ideais de Lennie sobre Brockman é interessante ao fazer o rapaz repensar sobre a sua vida e o que ele quer fazer com ela.

Quem é mais influenciada por Lennie é Kay. A senhora Munsinger faz parte de um clube de leitura e reúne umas amigas em casa para discutir obras literárias. Esses encontros geram os melhores momentos do seriado após Kay sugerir a leitura da obra de Mao Tsé-Tung – político, teórico, líder comunista e revolucionário chinês que liderou a Revolução Chinesa e foi o arquiteto e fundador da República Popular da China. É hilário ver um grupo de senhores discutindo sobre comunismo e falando sobre luta armada, protestos e coisas do tipo, ainda mais nos anos 60.

O último episódio é o mais engraçado quando a “crise” chega no pior nível e todos os personagens da série se reúnem na casa dos Munsinger gerando uma incrível confusão e momentos hilários.

Crisis in Six Scenes não mostra nenhuma novidade dentro da carreira de Woody Allen, mas mantém a regularidade do diretor em mais um trabalho de qualidade. Pode não ser uma grande obra ou apresentar algo de diferente dentro do mundo televisivo, mas diverte como toda obra de Allen, seguindo o seu estilo humorístico e irônico como só ele consegue fazer.



Criado por Woody Allen
Emissora: Amazon Studios e Gravier Productions
Com: Woody Allen, Miley Cyrus, Elaine May, Rachel Brosnahan e John Magaro

Analista de sistemas nascido em Salvador (BA) em 1980, mas atualmente morando em Brasília (DF). Cinema é sem dúvidas o meu hobby favorito. Assisto a filmes desde pequeno influenciado principalmente por meus pais e meu avô materno. Em seguida vem a música, principalmente rock e pop.

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