Crítica | Um Estado de Liberdade (Free State of Jones)

Um Estado de Liberdade, estrelado por Matthew McConaughey, é um daqueles filmes baseados em fatos reais que valem mais pela importância histórica do tema que pelo filme em si. Dirigido por Gary Ross, a trama se passa durante a Guerra Civil Americana e mistura dois temas interessantes: guerra e escravidão.

A trama é centrada em Newton Knight (McConaughey), um fazendeiro que presta serviços de enfermagem nos campos de batalha. Porém, ele não concorda com a motivação do conflito. Para ele, a guerra tem o único propósito de deixar os ricos mais ricos enquanto os pobres lutam.

Depois de perder o sobrinho em batalha, Knight abandona os campos de guerra e volta para casa, para que a família possa enterrar o rapaz. De volta ao lar, o cenário que ele vê é desconcertante. O Governo Confederado exige das famílias quase todo o suprimento, deixando-as praticamente sem nada. A partir daí, Newton transforma-se em um desertor, grave crime punido com pena de morte. Ele junta-se a um grupo de escravos fugitivos e, aos poucos, reúne vários fazendeiros pobres inconformados com a Confederação. Juntos, tornam-se rebeldes.

Apesar de parecer um filme de guerra padrão a evolução de Knight torna a história cativante e com foco no drama dos fazendeiros. Ao reunir grupo tão diverso, o personagem de McConaughey une interesses que não teriam forças separadamente, mas que juntos podem fazer a diferença. Não se trata de uma luta individual e sim de uma causa coletiva. Knight se transforma em líder quase sem querer, mas abraça a causa com fervor.

O problema do filme é que a luta de Knight se arrasta por alguns anos e, ao tentar abordar todo o conflito, a trama se perde na conclusão. Além disso, o roteiro traz a história principal conectada a um julgamento que se passa muitos anos mais tarde, porém a conexão não é bem explorada. O roteiro escrito pelo próprio Ross, baseado no livro de Victoria Bynum, toca em temas ricos, mas desperdiça a oportunidade de fazer algo de excelência.

Na parte técnica o filme tem ótimos cenários e a fotografia muito bonita. O destaque maior fica por conta do elenco, principalmente McConaughey. Ele entrega mais uma ótima atuação.

O diretor Gary Ross mostra que tem talento e, após dirigir um blockbuster como Jogos Vorazes, achou por bem fazer algo mais sério. Ele tinha material para entregar um filme fantástico, mas conseguiu produzir um bom filme, que se destaca por abordar temas históricos que ainda merecem ser discutidos.

* Texto revisado por Elaine Andrade


Uma frase: O discurso de Newton Knight declarando o Estado Livre de Jones.

Uma cena: – Newton Knight: “Não é apenas somente para nós. Negro, branco, rico, pobre, é para todo mundo.”

Uma curiosidade: Victoria Bynum, a escritora do livro The Free State of Jones: Mississippi’s Longest Civil War, faz uma ponta no filme como uma enfermeira.

.


Um Estado de Liberdade (Free State of Jones)

Direção: Gary Ross
Roteiro: Gary Ross e Leonard Hartman (história)
Elenco: Matthew McConaughey, Gugu Mbatha-Raw, Mahershala Ali, Keri Russell, Christopher Berry, Sean Bridgers, Jacob Lofland, Thomas Francis Murphy e Brian Lee Franklin
Gênero: Ação, Biografia, Drama
Ano: 2016
Duração: 139 minutos

One thought on “Crítica | Um Estado de Liberdade (Free State of Jones)”

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *