Crítica | O Bebê de Bridget Jones (Bridget Jones’s Baby)

Foi bom encontrar novamente com Bridget Jones 12 anos após o péssimo “Bridget Jones: No Limite da Razão”. E é bom também ver Renée Zellweger de volta ao cinema. Serviu para fazer as pazes novamente com a personagem. Agora mais velha, com 43 anos, ela parece estar bem. Tem um bom emprego, amigos e não está acima do peso. Isso segundo seus próprios padrões, já que ela reclamava disso nos outros filmes. Mas eu nunca vi problemas no peso dela. Só que o fato de continuar sozinha ainda a incomoda, mas de uma forma diferente. “O Bebê de Bridget Jones” começa fazendo piada sobre ela estar sozinha. Ouvimos logo no início do filme a música “All By Myself” de Jamie O’Neal, fazendo referência à cena dela sozinha no primeiro filme. E lá está Bridget novamente sozinha em casa. Só que agora a situação é diferente.

Mas antes de continuar a falar sobre isso, melhor explicar a trama. Afinal como o próprio título diz, Bridget Jones vai ter um bebê. E como isso aconteceu? Bem, com seu jeito “atrapalhado” de sempre, na mesma semana ela acaba fazendo sexo com 2 homens diferentes (não ao mesmo tempo, como sugere a sua mãe). Primeiro um encontro casual com Jack (Patrick Dempsey) durante um festival de música. E depois com Mark (Colin Firth), seu ex-namorado, num momento de reencontro. Sem saber quem é o pai ela conta a situação aos dois e ambos entram numa disputa em quem consegue agradar melhor a futura mamãe.

A dinâmica da história segue a mesma fórmula dos filmes anteriores. Bridget fica na dúvida entre qual dos pretendentes é a melhor opção. A diferença é ausência do personagem de Hugh Grant. Em seu lugar o Jack de Patrick Dempsey é um “competidor” mais forte para o Mark de Colin Firth. Enquanto o antigo amor continua muito ocupado com seu trabalho de “salvar o mundo”, o novo ainda é muito recente para ser considerada uma paixão. Para “compensar” ele é rico. A piada é que o cara é o criador de um site que tem um algoritmo para definir a chance de um casal ficar juntos. Mas como pode a pessoa que fez isso ainda estar solteira?

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Ou seja, a tarefa de Bridget em escolher entre um dos dois não vai ser fácil. É bom ver a personagem um pouco mais madura, mas sem perder a sua essência. Como estava falando no início do texto, sua situação mudou. Ela parece um pouco mais conformada consigo mesma. Mas ao ficar grávida sua vida se “complica” novamente.

O humor continua sendo bem explorado com as situações cômicas e/ou constrangedoras que ela se envolve. Mas aqui o nível de besteirol está num nível mais aceitável e verossímil. Em poucos momentos esse limite é ultrapassado, mas o público corresponde bem com muitas risadas.

Esse melhor equilíbrio pode ser explicado com a volta da diretora Sharon Maguire, que foi responsável pelo primeiro filme. Ela conseguiu voltar ao tom de comédia menos exagerado, diferente da continuação. Mas ainda assim a história em muitos momentos força um pouco a barra com as coincidências e abusa dos clichês de comédias românticas. A vida de Bridget acaba se tornando um pouco no tom de fábula e menos próxima da realidade do primeiro filme.

O roteiro de Helen Fielding (autora do livro) e Dan Mazer depois recebeu um retoque de Emma Thompson, que aproveitou e também entrou no elenco do filme. A trama acaba criando muitos conflitos e sem tempo para desenvolvê-los acaba resolvendo-os de maneira fácil e superficial. Como por exemplo, a mudança de opinião da mãe de Bridget em relação ao fato da filha ser mãe solteira e não saber quem é o pai do seu futuro bebê.

O elenco acaba sendo um diferencial. Zellweger continua muito carismática e volta muito bem à personagem. Firth também está bem como Mark mostrando bem os clichês do bom moço inglês. Já Dempsey não consegue mostrar todo o potencial do seu personagem, já que ele é o único novo na história e não tem muito tempo para desenvolvê-lo a ponto de o público torcer para que ele fique com Bridget no final. Então fica claro que a ausência de Hugh Grant fez muita falta.

No final das contas, o bebê fez bem a Bridget Jones e é bom ver uma personagem feminina em evidência no cinema. Por mais que alguns exageros deixem-na menos próxima a realidade, é interessante ver temas femininos em destaque. Um filme dirigido por mulheres, escrito por mulheres e que tem uma protagonista feminina. Quem diria que em 2016 isso ainda seja necessário ser citado como motivo de destaque.


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Uma frase: – Mark: “Bom, eu sempre posso encontrar tempo para salvar o mundo. E Bridget, você é o meu mundo.”

Uma cena: Quando Bridget Jones conta num restaurante para Jack e Mark sobre a dúvida de não saber quem é o pai do seu bebê.

Uma curiosidade: A série Bridget Jones é a primeira primeira trilogia da história do cinema a ser dirigida apenas por mulheres.

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bebe-bridget-cartazO Bebê de Bridget Jones (Bridget Jones’s Baby)

Direção: Sharon Maguire
Roteiro: Helen Fielding, Dan Mazer e Emma Thompson
Elenco: Renée Zellweger, Colin Firth, Patrick Dempsey, Jim Broadbent, Gemma Jones e Emma Thompson
Gênero: Comédia, Romance
Ano: 2016
Duração: 123 minutos

Analista de sistemas nascido em Salvador (BA) em 1980, mas atualmente morando em Brasília (DF). Cinema é sem dúvidas o meu hobby favorito. Assisto a filmes desde pequeno influenciado principalmente por meus pais e meu avô materno. Em seguida vem a música, principalmente rock e pop.

3 thoughts on “Crítica | O Bebê de Bridget Jones (Bridget Jones’s Baby)

    1. Dando SPOILER do filme, ele deixa claro que o filho é de Mark por causa do sobrenome. Mas depois de toda a confusão todos acabaram ficando amigos de alguma forma. Só que o jeito que é mostrado no filme é só pra deixar essa ambiguidade por mais um tempo.

      1. Eu estou na dúvida de quem é o pai ?

        Não ficou claro !

        Porque o outro parecia ser o pai segurando no altar ,

        E tanta tecnologia sem o dna, ficou sem graça.

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