Crítica | Desculpe o Transtorno

O filme Desculpe o Transtorno utiliza muito bem os clichês e fórmulas de comédias românticas. Apesar de ser bem previsível, ele consegue divertir de maneira leve e interessante. Mas considerando o elenco principal era de se esperar algo mais inovador, irreverente e escrachado. Afinal de contas Gregório Duvivier e Clarice Falcão ficaram conhecidos pelo humor do canal Porta dos Fundos no YouTube que foge bastante dos padrões do humor tradicional. Mas quem sabe o fato de ser algo mais comum que tenha atraído os dois a estrelar esse projeto.

Na trama Gregório vive Eduardo, um jovem que quando era criança morava no Rio de Janeiro. Na separação dos pais acaba ficando com o pai e se muda para São Paulo. Ele é um cara totalmente metódico que faz tudo certinho dentro do horário com uma rotina bem definida. Trabalha no escritório de patentes do pai. E tem uma namorada (Dani Calabresa) extremamente controladora. Quando sua mãe morre ele tem que ir ao Rio se reencontrar com seu passado. E isso acaba despertando uma nova personalidade nele. Sua versão carioca se chama Duca e acaba se envolvendo com Bárbara (Clarice Falcão). Sua vida então se torna uma enorme confusão.

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A ideia do filme é bem interessante ao fazer um paralelo entre a dupla personalidade do protagonista e a relação entre as cidades de São Paulo e Rio de Janeiro. Somente esse tema da diferença entre o estilo de vida entre as cidades já rende algumas boas piadas. Muitas delas envolvendo clichês da personalidade do cidadão comum de cada lugar. As melhores piadas saem da boca da personagem de Dani Calabresa que vive uma paulistana nata. E temos também a relação do protagonista com o seu passado, onde era uma criança que aproveitava a vida brincando na rua fazendo traquinagens com seus amigos. Mas sua versão adulta virou totalmente certinha.

Essas relações transformam o transtorno do protagonista em algo bem verossímil, e não algo exagerado como se realmente fossem duas pessoas totalmente diferentes. Mas infelizmente essas relações são tratadas pelo roteiro de forma muito superficiais e poderiam ter sido melhor exploradas. Felizmente a atuação de Gregório Duvivier é muito boa e ele consegue construir muito bem a dualidade do seu personagem. Mas as idas e vindas do personagem entre o Rio e São Paulo e a forma como a trama vai se desenrolando acabam deixando um pouco a desejar. Ainda assim o filme consegue ser eficiente em contar a história de forma básica garantindo momentos engraçados e fofinhos. E o roteiro funciona apesar de ser previsível. Acaba não conseguindo sair muito da fórmula das comédias românticas.

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Temos algumas boas referências pop. Como a discussão sobre a dupla personalidade do protagonista e a relação com a novela “Mulheres de Areia”. Além de participações de outros atores que fazem parte do elenco do Porta dos Fundos que garantem boas risadas.

Mesmo sem sair muito do convencional “Desculpe o Transtorno” consegue ser eficiente e o seu principal diferencial acaba sendo o elenco. Os atores tiram o filme um pouco do lugar comum com suas boas atuações. Mas ele tinha potencial para ser muito mais interessante considerando os envolvidos no projeto, principalmente os protagonistas.


Uma frase: Eduardo: – “Eu sou o meu próprio irmão gêmeo mal”.  Marceleza – “É como se você tivesse a Ruth e a Raquel no mesmo corpo.”

Uma cena: A discussão relacionada a novela Mulheres de Areia.

Uma curiosidade: Os atores Gregório Duvivier e Clarice Falcão eram um casal na vida real.

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desculpe-o-transtorno-cartazDesculpe o Transtorno

Direção: Tomas Portella
Roteiro: Pedro Carvalhaes, Adriana Falcão, Tatiana Maciel e Célio Porto
Elenco: Gregório Duvivier, Clarice Falcão, Marcos Caruso, Dani Calabresa, Rafael Infante, Paulo Leal, Zezé Polessa, Daniel Duncan, Verônica Debom, Carol Portes e Luis Lobianco
Gênero: Comédia, Romance
Ano: 2016
Duração: 94 minutos

Analista de sistemas nascido em Salvador (BA) em 1980, mas atualmente morando em Brasília (DF). Cinema é sem dúvidas o meu hobby favorito. Assisto a filmes desde pequeno influenciado principalmente por meus pais e meu avô materno. Em seguida vem a música, principalmente rock e pop.

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