Crítica | Águas Rasas (The Shallows, 2016)

Um filme de terror com o subgênero de tubarão dificilmente empolga. Nos últimos anos, principalmente depois de Sharknado, os filmes com tubarões como antagonistas ficaram presos a galhofada e isso contribuiu para que ninguém realmente quisesse investir no subgênero como algo mais tenso. O ultimo exemplo que me recordo foi Do Fundo do Mar (Deep Blue Sea – 1999) onde os tubarões se mostravam um perigo real e tem uma das cenas de ataques mais inesperadas que você já viu.

Com esse background nada favorável, é difícil se deixar empolgar com o ótimo trailer e chamadas diversas para o filme Águas Rasas. Neste filme, acompanhamos Nancy (Blake Lively), uma jovem que está em busca de uma praia secreta, local que sua falecida mãe havia visitado quando ainda estava grávida. Seu desejo de surfar no local paradisíaco logo vira um  pesadelo quando ela é atacada por um gigantesco tubarão e só tem uma pedra para se manter fora da água. O tempo corre contra ela pois a maré está subindo, sua ferida infeccionando e ninguém sabe onde ela está.

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Por incrível que pareça, Águas Rasas é bom filme! O visual impressiona e as cenas de Nancy surfando são arrebatadoras, as ondas chegando deixam um suspiro preso dentro do peito porque você está a todo momento esperando a barbatana surgir na água. O momento do ataque é tenso e bem filmado, mostra a profundidade da mordida e dá uma perspectiva do tamanho do problema.

Apesar da visão geral ser muito boa, algumas coisas me incomodaram bastante. Acredito que por não ter um espirito aventureiro acho um pouco exagerado colocar uma estrangeira em uma praia que ela não sabe o nome, não sabe como chegar, muito menos como ir embora e na presença de dois homens desconhecidos. Se vocês que são mais descolados entendem que sou muito careta, desculpem. Vamos em frente.

Segundo o trailer e o início do filme, entendi que o tubarão foi trazido para aquele local por conta de uma carcaça de baleia e por uma infeliz coincidência ficou preso na baía devido a maré baixa. O problema é que não foi bem assim que aconteceu e após idas e vindas percebemos que o tubarão está em uma espécie de vingança contra a surfista, matá-la é quase uma questão de honra. Isso soa tão artificial quanto os ataques aos outros surfistas. Por uns momentos me senti em uma versão piorada de Jaws onde o gigante tubarão branco ataca tudo o que vê pela frente não importando se vai saltar para pegar sua presa ou destruir estruturas de ferro.

Apesar destas questões mais presentes no terceiro ato do filme, Águas Rasas cumpre seu papel muito bem. É um filme de sobrevivência, tenso, com uma protagonista que raras vezes se mostra fraca. Com uma perna praticamente dada como perdida, ela jamais desiste de sobreviver e entende que só pode contar consigo mesma. Em Águas Rasas você terá uma hora e meia de tensão com direito a companhia de um “Wilson sem náufrago”.


Uma frase: “Não temos tubarão aqui.”

Uma cena: Nancy cuidando da enorme mordida de tubarão em sua perna.

Uma curiosidade: O apelido de Nancy para a gaivota é Steven Seagull, que é,  um trocadilho com o ator Steven Segal.

 

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Águas Rasas (The Shallows)Aguas Rasas

Direção: Jaume Collet – Serra
Roteiro: Anthony Jaswinski
Elenco: Blake Lively, Óscar Jaenada, Angelo Jose, Lozano Corzo
Gênero: Drama, Horror, Thriller
Ano: 2016
Duração: 86 min.

 

 

Uma criatura meio doida que lembra a irmã do Ferris Bueller, finge que é nerd, adora filmes de terror mas tem medo de comédias românticas.

2 thoughts on “Crítica | Águas Rasas (The Shallows, 2016)

  1. Assisti hoje a esse filme. Gostei que o roteiro não se estende desnecessariamente e confesso que fiquei muito agoniada com a situação vivida pela protagonista. Mas, é fato que a história é bem previsível!

  2. o tubarao na verdade, penso, parece ser o transtorno da personagem por perder sua mae por uma doença e ele (tubarao) é a encarnação disso e quer devora-la jogando neste trauma eterno.

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