Crítica | Batman: A Piada Mortal (Batman: The Killing Joke)

A animação Batman: A Piada Mortal foi anunciada para ser lançada direto em vídeo, mas graças à presença dos dubladores Kevin Conroy e Mark Hamill (respectivamente Batman e Coringa), a popularidade foi aumentando e a Warner resolveu fazer um lançamento especial nos cinemas. Felizmente o Brasil entrou na agenda graças a uma parceria entre o site Omelete e a rede Cinemark, que exibiram o filme no dia 25 de julho de 2016 em salas de todo o país. E o negócio foi um sucesso de público, porque inicialmente estava programada apenas uma sessão por sala, mas a alta procura fez com que sessões extras fossem criadas.

A tarefa de adaptar “Batman – A Piada Mortal” não era muito difícil, já que a HQ escrita por Alan Moore com arte de Brian Bolland não é extensa. E, sendo uma animação, fica mais fácil reproduzir os quadrinhos com fidelidade.

Porém, sabendo que o conteúdo não seria suficiente para uma animação de pouco mais de uma hora, o roteirista Brian Azzarello (que também é roteirista de quadrinhos) colocou um tipo de introdução na história para mostrar um pouco mais da Batgirl. Esse detalhe foi importante para aqueles que não conhecem o quadrinho original e também o universo do Batman das HQs (também conhecido como “grande público” – risos) criassem uma relação melhor com a personagem e se importassem com o que vem a acontecer com ela no decorrer da história.

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Ultrapassada essa introdução, a trama mantém a mesma estrutura da HQ de 1988 ao mostrar o Coringa sequestrando o comissário Gordon após disparar contra sua filha Barbara (que é a Batgirl) para torturá-lo e assim provar que qualquer um pode ficar “maluco” como ele se tiver um dia ruim o bastante, enquanto mostra a origem do vilão em flashbacks.

A verdade é que a HQ escrita por Alan Moore ajudou a redefinir o Batman nos quadrinhos junto com outras obras da mesma época como “O Cavaleiro das Trevas”, de Frank Miller. Desde então o personagem já foi adaptado para diversas mídias, passando pelo cinema, animações e videogames, então era obvio que A Piada Mortal versão animação não teria o mesmo impacto que a HQ teve na época, eis que essa versão mais “soturna” do personagem já está totalmente estabelecida.

Resta então dizer que a animação consegue transpor a HQ de forma muito boa, mantendo os mesmos elementos e o formato, além de acrescentar um algo mais como uma referência nova aqui e ali, junto com a já citada introdução envolvendo a Batgirl.

O fato de a animação contar com a dublagem de Kevin Conroy e Mark Hamill remete automaticamente à série de animação do Batman produzida nos anos 90, o que cria um clima de nostalgia para quem assistia o desenho (nesse caso somente para quem assistiu com o áudio original, algo que eu só consegui depois de “velho” com o lançamento da série em DVD – sendo então a nostalgia da nostalgia – risos). Aliás, vale citar que a versão de Hamill para o Coringa é a minha favorita: para mim ele conseguiu fazer a versão definitiva do personagem.

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O visual de “Batman – A Piada Mortal” também lembra bastante o do desenho, o que acaba remetendo a um episódio mais longo e com conteúdo mais sério e adulto.

Mas o mais importante é que a animação consegue manter a mesma ambiguidade da HQ, principalmente (início SPOILER) se no final o Batman mata ou não o Coringa, e ainda arrumou polêmica ao inserir uma cena de sexo entre o Cavaleiro das Trevas e a Batgirl, além de uma cena do Batman conversando com garotas de programa, que acaba jogando lenha na fogueira das insinuações de que o Coringa teria estuprado Barbara (fim SPOILER).

No final das contas, é uma boa oportunidade para quem não conhece essa clássica história entrar em contato e também para fãs acompanharem a trama num novo formato.


Uma frase: – Coringa: “Às vezes eu lembro de um jeito e as vezes de outro, se eu tenho que ter um passado eu prefiro ter múltipla escolha”.

Uma cena: A piada final.

Uma curiosidade: Depois do lançamento do jogo Batman: Arkham Knight, Mark Hamill afirmou que, devido ao esforço em suas cordas vocais ao fazer a voz do Coringa, ele não iria mais dublar o personagem, a não ser que “A Piada Mortal” fosse adaptado em um filme.

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piada-mortal-cartazBatman: A Piada Mortal (Batman: The Killing Joke)

Direção: Sam Liu
Roteiro: Brian Azzarello (baseado na HQ de Alan Moore e Brian Bolland)
Elenco: Kevin Conroy, Mark Hamill, Tara Strong e Ray Wise
Gênero: Animação, Ação, Crime, Drama, Thriller
Ano: 2016
Duração: 76 minutos

Analista de sistemas nascido em Salvador (BA) em 1980, mas atualmente morando em Brasília (DF). Cinema é sem dúvidas o meu hobby favorito. Assisto a filmes desde pequeno influenciado principalmente por meus pais e meu avô materno. Em seguida vem a música, principalmente rock e pop.

4 thoughts on “Crítica | Batman: A Piada Mortal (Batman: The Killing Joke)

  1. não gostei muito, prefiro as outras animações do batman lançados pela DC como Batman: Sangue, Batman contra Capuz Vermelho, Batman: Ataque ao Arkham e Batman vs Robin

        1. outros filmes ótimos da DC são: Liga da justiça: Guerra, Liga da justiça: ponto de ignição, lanterna verde: primeiro vôo e Lanterna Verde: Cavaleiro Esmeralda

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