Review | SUPERHOT

A primeira vez que ouvi falar em Superhot, se não me falha a memória, foi durante a conferência da Microsoft na E3 de 2015. Lembro que o que me chamou atenção de imediato foi o visual simples porém estilizado de um game que parecia não passar de mais um FPS tradicional.

BOOM - headshot!
BOOM – headshot!

Ledo engano. O maior mérito de Superhot é trazer um respiro de ar fresco a um gênero já desgastado e que não apresentava grandes inovações há bastante tempo. E essa originalidade vem na forma da mecânica básica do jogo, que é diferente de tudo que eu já havia visto até então.

Em suma: o tempo à sua volta está praticamente congelado, e só avança conforme você se mexe e se desloca no ambiente. Isso dá ao game um caráter mais próximo de um jogo de estratégia e puzzle do que de um jogo de ação frenética, já que você tem tempo de pensar cada movimento.

O que não quer dizer que o jogo seja um passeio no parque: tiros voam por todos os lados ao mesmo tempo, e frequentemente você estará desviando de uma bala para dar de cara com outra. Além disso, inimigos surgem do nada, e muitas vezes às suas costas. Então, enquanto você está preocupado com dois ou três carinhas na sua frente, tem um tiro chegando na sua nuca e você não está nem sabendo.

Ainda assim, o jogo em geral é fácil. Só senti alguma dificuldade na última missão, e mesmo assim bastaram algumas tentativas para que eu conseguisse passar sem problemas. É um jogo bem curto, dá pra terminar em menos de três horas, o que acaba sendo a duração ideal: um pouco mais do que isso e começaria a ficar cansativo, já que não há muita variação na jogabilidade. Essa mecânica do jogo, do deslocamento do tempo, é bem interessante, mas não tarda a ficar repetitiva, e o jogo não se esforça muito em trazer novos elementos – e quando traz, os esquece algumas telas depois.

Desvia dessa bala, Neo!
Desvia dessa bala, Neo!

O design das fases também é muito simples e essencialmente repete os mesmos tipos de ambiente, o que é um pouco culpa do estilo visual simplificado, com seus inimigos vermelhos e cenários brancos. Às vezes chega a parecer que o jogo está simplesmente requentando os mesmos mapas, alterando um ou outro elemento, ficando difícil dizer até que ponto isso foi uma escolha consciente ou pura preguiça.

Outra coisa que chama a atenção é a narrativa maluca do jogo, que a princípio sugere que não há um plot, mas há, e é muito doido. Não que isso seja necessariamente ruim, mas nesse caso achei que faltou um pouco de esforço no roteiro, no sentido de ter virado uma coisa muito obtusa e às vezes até um pouco besta. No fim das contas eu não entendi bem qual era mensagem que o roteirista queria passar, e, honestamente, não fiz questão nenhuma para tentar entender.

O jogo ainda tem um charme a mais, que são os menus e telas entre as fases que remetem a um estilo MS-DOS/caracteres ASCII de ser, mas que acredito que só vá agradar de verdade quem viveu aquela época dos PCs 486 com 16 megas de RAM.

Em suma, uma afirmativa que pode ser feita em relação ao Superhot é que é um jogo extremamente indie. Entre os visuais simplistas, a narrativa obtusa, e as mecânicas pouco ortodoxas, é um jogo que vai na contramão do que os triplo-A oferecem, e tem muito mérito pela coragem de fazer isso. Porém, ele paga um preço caro por essas características: é um jogo que dificilmente fará muito sucesso com o grande público, em especial aquele que pouco se informa e só se preocupa em comprar o FIFA e o Call of Duty de todo ano.

No mais, é um jogo que vale ser conferido por sua originalidade e por arriscar fazer coisas diferentes, mas dificilmente posso recomendá-lo por outros motivos. É curto, repetitivo, não explora a fundo o potencial de sua mecânica inovadora e é bastante frustrante no quesito plot. Mas certamente as boas ideias que ele traz poderão ser aproveitadas em outros jogos futuramente.

***Classificação***

 


SUPERHOT

Plataformas: Xbox One, PC
Gênero: Ação, tiro em terceira pessoa, puzzle
Desenvolvedor: Superhot Team
Lançamento: 25 de Fevereiro de 2016 (PC), 3 de Maio de 2016 (Xbox One)
Modo de jogo: 1 jogador (single player).

Dario Lima, além de ser faixa branca em todas as artes marciais e modalidades de combate conhecidas pelo homem, é também formado em Cinema. Mas sua verdadeira paixão são os joguinhos eletrônicos, desde que ganhou um Atari de presente do pai em uma época longínqua em que Menudo tocava nas rádios, Chevette era carro de playboy e McGyver passava na TV nas manhãs de domingo. Escreve sobre games na POCILGA e de vez em quando perturba os outros em algum episódio do Varacast.

2 thoughts on “Review | SUPERHOT

  1. Bela análise Dario, confesso que quando vi falar do game eu não me animei muito e a sua análise, apesar de ter algumas ressalvas, me deixou interessado.

  2. Me interessei, muito boa análise. Como é curto acho que vale a pena conhecer essa mecânica de perto. A ideia realmente é muito boa, uma pena que aparentemente foi mal executada.

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