Crítica | A Garota do Livro (2015)

A estreia de Marya Cohn na direção é daqueles casos em que uma história com potencial acaba sendo desperdiçada. A Garota do Livro discute um tema espinhoso e importantíssimo de maneira superficial, preferindo focar em um romance insosso. Apesar de tudo, é uma experiência válida.

Alice está perto dos 30 anos e ainda não se encontrou. Ela trabalha como assistente editorial, mas gostaria mesmo de ser uma escritora reconhecida. Infeliz no trabalho, Alice também não está satisfeita no que tange aos relacionamentos. Amargurada, um tanto autodestrutiva e pouco ambiciosa, Alice parece apenas sobreviver ao invés de viver.

Flashbacks revelam o grande trauma que ela enfrentou na adolescência. Quando estava iniciando algo que poderia ser uma carreira literária promissora, recebeu uma ajuda nada agradável de um experiente autor, que além de lhe abusar fisicamente, apropriou-se de suas ideias e publicou um livro que virou um estrondoso sucesso de vendas e crítica.

Após conhecer Emmet, Alice verá que ainda é tempo de aparar certas arestas.

Uma das coisas que ficam evidentes na trama é a ausência dos pais e como isso prejudicou a garota. Foi difícil para ela passar por uma situação drástica sem ter o apoio dos pais, que simplesmente não acreditaram nela. E mesmo adulta, ver como o pai a trata é irritante. Para ele, Alice basicamente não tem voz, não tem vontade própria.

A Garota do Livro conta com atuações sólidas e uma premissa digna. Pena que faltou coragem e sobrou preguiça para aprofundar a questão do abuso. Um assunto forte que merecia uma dedicação maior, ainda mais nos dias de hoje.

* A Garota do Livro, 2015

 

Fã de sci-fi que gosta de expor suas opiniões por aí! Oinc!

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