Crítica | Musarañas 2014

As produções de terror espanhol sempre me chamaram atenção, pois, na maioria das vezes encontramos um filme bastante superior a qualquer produção americana no mesmo nicho. Por conta deste background, aliado aos elogios de alguns sites especializados em terror,  não hesitei  em conferir Musaranãs dos diretores Juanfer Andrés e Esteban Roel. 

Conhecido também como Sangre de mi madre (nome usado no Netflix), a história gira em torno de Montse, uma mulher de meia idade que após a morte da mãe precisou cuidar da irmã mais nova abdicando da própria vida para se dedicar a esta tarefa. Outro agravante é que o pai sumiu durante a guerra e com o peso da responsabilidade, Monste desenvolveu um terrível problema: Agorafobia. Com isso, ela tem um pânico terrível de locais abertos e não consegue sair de casa há muitos anos. Do outro lado temos a irmã caçula que ao ficar mocinha foi assumindo as tarefas onde eram necessárias saídas a rua e também passou a trabalhar fora para ajudar nas despesas. Desde o primeiro momento em que aparecem juntas em cena é possível percebermos que nenhuma das duas fica confortável na presença da outra; é como se a qualquer momento uma das duas fosse explodir.

Montse demonstra um fanatismo religioso muito ligado a própria criação que recebeu sem espaço para questionamentos ou vontade própria e com esse comportamento sufoca a irmã como se precisasse protegê-la de tudo. Isso se contrapõe também ao medo absurdo que ela tem que a caçula se canse desta vida e decida ir embora ou até mesmo se case e abonde-a para sempre. Nesta montanha russa de emoções, Montse intercala punições e a auto piedade de alguém que precisa sempre de outra pessoa para viver.

musarañas

A trama começa a se complicar quando o vizinho do andar de cima está saindo apressado do seu apartamento e se atrapalha com a mala o que ocasiona uma queda da escada. Para a sorte, ou azar, ele cai exatamente na porta das irmãs obrigando Montse a fazer uma força sobre humana que é dar três passos fora do seu apartamento e resgatar o pobre homem.  A chegada de Carlos muda completamente a rotina da mulher que se apaixona pelo estranho e também precisa lidar com a permanência dele no local. A princípio ela tenta escondê-lo da irmã mas quando se dá conta que isso é impossível, resolve lidar com a situação de forma absurda: impedindo que ele melhore.

Apesar de um roteiro com uma mesma temática de Misery (Louca Obsessão), Musarañas consegue se distanciar e muito ao longo da trama. Com a história que se passa nos anos 50, ele prende sua atenção mantendo a ação apenas no apartamento dando um ar teatral ao projeto, tem uma protagonista com uma personalidade difícil mas que mantém o apego do espectador a sua história. O problema é que no terço final do filme a história se perde totalmente e Montse que era uma vilã com toques de dramaticidade passa a ser responsável por um dramalhão sem cabimento e mesmo com um plot twist coerente, não há justificativa para as atitudes da irmã caçula. E por falar nela, Nadia de Santiago, é o elo fraco do filme. A personagem não tem função na trama e sua inércia diante da presença de Carlos na casa – contra sua vontade – é totalmente sem razão. O mais triste é que Musarañas tinha tudo pra ser promissor e figurar entre os melhores do ano mas jogou fora toda a história em busca de um frenesi absurdo, ainda assim, é muito superior a várias as produções americanas de terror que inundaram os cinemas em 2014. 


3 (Kevin) Bacons de 5Uma frase: “Eu transformei esta casa em um caixão gigante do qual não posso cair”.

Uma cena: O momento em que Montse encarna a personagem de Kathy Bates em Louca Obsessão e decide impedir a fuga de Carlos.

Uma curiosidade: O ator Luis Tosar,  que faz o pai de Montse, também atuou no excelente Mientras Duermes já comentado aqui na Pocilga. Leia a crítica clicando AQUI.

 


musaranas-2014-posterMusarañas ( Sangre de mi sangre)

Direção: Juanfer Andrés e Esteban Roel
Roteiro: Juanfer Andrés e Sofía Cuenca
Elenco: Macarena Gómez , Nadia de Santiago e Hugo Silva.
Gênero: Suspense, Drama
Ano: 2014
Duração: 91 minutos.

Uma criatura meio doida que lembra a irmã do Ferris Bueller, finge que é nerd, adora filmes de terror mas tem medo de comédias românticas.

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