Crítica | Snoopy & Charlie Brown: Peanuts, o Filme

Apresentando…

…Snoopy e sua turma!

Sim, o nome que carrega o título é o de Charlie Brown, “Minduim” (por Paty Pimentinha), mas o astro mesmo sempre foi Snoopy, o cãozinho carismático e astuto das histórias de Charles Schulz. É fato que os dramas e desafios da juventude e até mesmo das pessoas em geral sempre chamaram a atenção e elevaram o patamar da obra do cartunista americano, mas foi o cachorro idealizado por ele que roubou a atenção e os holofotes em sua obra. Nesse longa em homenagem aos 50 anos dessa criação temos o retorno das criações de Schulz numa história original e num formato atualizado muito bem pensado e introduzido pelo estúdio de animação Blue Sky, responsável pelos longas da série Era do Gelo entre outros.

Nessa nova história, teremos a presença de todos os personagens chave da obra e a introdução de um novo interesse romântico para Charlie Brown com o intuito de fazê-lo superar suas eternas dificuldades. Enquanto isso, Snoopy está muito mais dócil do que costumava ser nas histórias originais, resolveram não carregar na acidez do humor nessa nova versão do clássico e isso importou numa queda do valor de um dos aspectos marcantes que imortalizaram a obra de Charles Schulz. Esse novo Snoopy, mais companheiro e compreensivo, não se preocupa tanto em roubar a cena, atuando mais como um suporte para Charlie Brown brilhar.

Assim que a nova aluna ruiva chega ao colégio, imediatamente Charlie Brown apaixona-se e busca alguma forma de chamar a atenção de sua nova musa, porém ele esbarra nas eternas dúvidas que sempre marcaram sua personagem ao longo tempo. Aqui não é diferente, mas, novamente, tudo é mais atenuado, mais simples, não há toda aquela carga de implacabilidade, frieza mesmo, nas relações e reações de suas personagens. Em sua luta para provar seu valor, “Minduim” irá do céu ao inferno e, em meio a tudo isso, mostrará o que realmente importa para que uma pessoa seja digna.

É mais um filme de lições. Em que se tenta valorizar mais os sentimentos altruístas ao invés de criticar o comportamento natural do mundo em geral. A parte técnica é o ponto alto de todo o filme, com efeitos marcantes e criativos que conseguiram manter o carisma característico dos desenhos do autor e ainda modernizar o visual. Algumas passagens fazem remissão aos rascunhos originais, agregando ainda mais qualidade ao aspecto visual do filme.

No geral, a homenagem é bem feita e apresentada, mas não consegue carregar todo o necessário na intensidade e qualidade que sempre a destacaram. Não tem a mesma diversão, a mesma inteligência, a mesma crítica. Cumpre bem seu papel, na medida que consegue estabelecer uma ponte entre o público mais antigo e mais novo, dando uma impressão geral de como as personagens se comportam e ainda conseguindo manter um pouco do estilo que imortalizou e tornou Snoopy uma marca rentável e lembrada durante 50 anos.

***Classificação***

3 (Kevin) Bacons


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Título Original- The Peanuts Movie
Título Nacional- Snoopy & Charlie Brown: Peanuts, o Filme
Diretor- Steve Martino
Roteiro- Bryan Schulz/Craig Schulz
Gênero- Animação/Comédia
Ano- 2015

4 thoughts on “Crítica | Snoopy & Charlie Brown: Peanuts, o Filme”

  1. Tem muito filme pra assistir nessa época e não sei se vou conseguir ver esse no cinema, ainda mais que só tem cópias dubladas. Mas como deve ficar um bom tempo em cartaz se der irei depois, mas parece ser divertido.

  2. Fico preocupado com essa questão que você comentou de terem “amenizado” um pouco a acidez e a “contundência” de Schulz nessa animação. De qualquer forma e´imperdível.

  3. A dublagem é outro ponto que não mencionei na resenha por achar uma discussão repetitiva, pois já sabia-se há muito tempo que o dublador do Charlie Brown não seria o Selton Melo. Isso deixou a desejar bastante, bem como outros personagens também, mas não é grave, porém, como provavelmente estamos acostumados com o nível antigo fica a estranheza.

    Quanto ao lance da amenização, sim, é visível e inegável. O quanto isso importa vai depender de cada um.

    1. É um filme bem divertido e a parte técnica é um diferencial grande. Os traços e a escolha do desenho meio 2D meio 3D foi muito acertada.

      A questão que você comentou de perder um pouco do humor mais adulto e da ‘acidez’ dos quadrinhos originais do Schulz realmente tira um pouco da ‘magia’, ainda assim é um filme divertido.

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