Crítica | Cinco Graças (Mustang, 2015)

Mais uma vez entramos em uma semana repleta de bons lançamentos no cinema, o que é um problema para filmes como este ótimo Cinco Graças. As chances dele ficar um tanto esquecido são grandes, mas vou fazer minha parte e tentar motivar os leitores da PO.CI.L.GA. a conferi-lo.

Cinco Graças foi inscrito pela França na disputa do Oscar 2016, apesar de se passar na Turquia e de ser falado na língua turca. O filme investe em um tema atual e delicado. Não há como assisti-lo de maneira passiva.

As primeiras cenas mostram um grupo de irmãs se divertindo no mar com alguns garotos após o último dia de aula. O que era para ser uma brincadeira despretensiosa, toma proporções gigantescas. A avó e o tio das garotas acreditam que a reputação delas está manchada e de agora em diante tudo mudará. De uma hora para outra elas se tornam prisioneiras na própria casa. Os muros ficam mais altos, grades são colocadas em cada janela e celulares, roupas modernas, computador, maquiagem e até mesmo escola não são mais permitidos.

Elas passam o dia recebendo lições de como ser boas donas de casa, ao mesmo tempo em que o tio tenta arranjar casamentos para cada uma delas. As vontades das garotas são irrelevantes.

É difícil crescer em um lugar repleto de tradições retrógradas. A Turquia é um país relativamente avançado, mas a trama se passa em uma vila do norte, bem distante da capital Istambul. O machismo impera e a mulher praticamente não tem voz. Até quando as irmãs vão aguentar esse enclausuramento? É interessante notar que uma irmã até aceita essa situação, mas as outras vão tentar evitar esse destino das mais variadas formas. A sequência em que elas escapam para acompanhar um jogo de futebol funciona como um verdadeiro grito de de liberdade.

As coisas acontecem um tanto rápido demais e há um certo exagero na caracterização das garotas, mas tudo isso cumpre o papel de transmitir a mensagem primordial do filme.

O título original de Cinco Graças é Mustang, uma referência apropriada aos cavalos selvagens que antigamente eram domesticados. O filme reflete essa época de mudanças em que vivemos, na qual as mulheres estão conseguindo conquistar direitos que jamais deveriam ter perdido. É uma pena que em alguns países as tradições estão longe de perder a força.

***Classificação***


Título original: Mustang
Ano:
2015
Duração: 97 minutos
Diretor:
Deniz Gamze Ergüven
Roteiro: Deniz Gamze Ergüven, Alice Winocour
Gênero: Drama
Elenco: Günes Sensoy, Doga Zeynep, Elit Iscan
Info: IMDb

cinco-graças-cartaz



 

Fã de sci-fi que gosta de expor suas opiniões por aí! Oinc!

2 thoughts on “Crítica | Cinco Graças (Mustang, 2015)”

  1. Gostei bastante desse filme, sim existe um certo exagero na caracterização das garotas em determinada parte mas realmente isso funciona nesse filme

    A Turquia é relativamente avançada nestes quesitos realmente, mas ainda está muito dividida e existe uma parcela “retrógrada” ainda nos costumes.

    É um filme feminista em sua essência. A cena delas fugindo para o jogo de futebol é sem dúvidas uma das melhores.

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