Crítica | A Quinta Onda (The 5th Wave, 2016)


A Quinta Onda não nos destruiu a todos. Mas se houver uma Sexta Onda, o cinema, com certeza, jamais se recuperará…

Não vá que é barril! Aqui na Soterópolis temos esse ditado. E essa frase sintetiza bastante o que há a se dizer sobre esse filme.

Se você não é soteropolitano e quer entender o significado dessa expressão, nada melhor do que se arriscar a entrar na sala de cinema para assistir a esse espetáculo de incompetências. Normalmente eu prefiro me ater à uma análise mais técnica das películas, reconhecendo que todo trabalho merece seu mérito. Mas “A Quinta Onda” é errado da tantas formas possíveis que se torna indefensável. E não… nem Chloë Grace Moretz é capaz de salvar o filme. (Dammit, ela sequer é capaz de salvar o mundo!).

Cabe uma pequena justificativa para não me chamarem de implicante: o filme adapta o livro homônimo do autor Rick Yancey lançado em 2013, que compõe – claro – a primeira parte de uma trilogia, voltada – claro – para o público adolescente, tendo sido considerado como um sucessor natural para a série Jogos Vorazes. Daí fica evidente  onde Yancey queria chegar. Bem como fica evidente a intenção da Sony ao financiar o projeto. Criar uma franquia que ocupasse o lugar da recém-encerrada história de Katniss.

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Se já é difícil gostar de Cassie… imagine do irmão dela…

Mas Cassie (a protagonista, vivida por Moretz) não é nem de longe Katniss – e olha que Katniss tem lá seus problemas – e Chloë Grace Moretz mesmo como toda a sua fofura, que amamos tanto desde Kick-Ass, ainda tem que se esforçar muito para ser uma atriz que chegue perto da ‘altura’ da Jennifer Lawrence – que também, convenhamos, não é nenhuma Meryl Streep.

O problema, contudo, não para na protagonista. Fica difícil atribuir a responsabilidade pela “ruindade” da fita apenas a Moretz. É sabido que, quando os atores entram em um projeto, eles sequer fazem ideia do que vai sair dali depois que o filme entrar na sala de edição. No fim das contas é sempre uma aposta. Os atores seguem a direção de um cara que, não por acaso, é chamado de diretor. E é o que falta nesse filme. O cidadão que deveria conduzir a narrativa, o indigitado J Blakeson, tem a capacidade de transformar aquilo que já é ruim em algo ainda pior. Blakeson filma sem qualquer intimidade com a câmera e sem qualquer criatividade.

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Um longo e insuportavelmente chato episódio de TWD… (sem zumbis…)

Deus sabe se foi falta de orçamento – acho difícil, pois, como disse, a Sony estava apostando suas fichas nessa nova franquia – mas o filme é em sua ampla maioria feito em planos fechados e com uma fotografia que é simplesmente tenebrosa de tão pasteurizada. Em suma, se você quiser saber como não se deve contar uma história, como você pode estragar uma narrativa a níveis abismais que beiram, senão a incoerência, mas o mais completo e absoluto marasmo, pode colocar a fita de J Blakeson como um exemplo disso. Nisso ele é triunfal. Gerações futuras de estudantes de cursos de cinema agradecerão a ele por seu sacrifício.

O diretor ainda não tem o mínimo trato na direção de atores, como é evidente, pelas referências mencionadas à atuação de Chloë Grace Moretz. Ora, Moretz não é uma atriz ruim. Ela tem um carisma envolvente que, se bem aproveitado, é suficiente para fazer o espectador se relacionar com o drama apresentado. O problema é que em momento algum do filme ninguém consegue se relacionar com nenhum dos dramas de qualquer um dos personagens apresentados. Todos mesmo (até mesmo Liev Schreiber que recentemente esteve ótimo em Spotlight) estão péssimos no filme. O ator que interpreta Sam Sullivan (Zackary Arthur), o irmão de Cassie, está tão ruim que você chega, algumas vezes, a torcer que ele parta logo dessa para melhor. E o problema é ainda maior quando você considera que a busca pelo irmão é o principal motivador dos atos da protagonista na história.

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Why don’t you just… die…

Para completar, temos um roteiro que é absolutamente incoerente em alguns aspectos fundamentais. Sim, o plano dos invasores, em linhas gerais, parece ser muito bom, mas a sua execução, que dá título ao filme (vou ser sádico e não dar spoilers para que algum sofredor, estilo nosso CEO Márcio Melo, se arrisque a assistir para matar sua curiosidade) é simples e inacreditavelmente uma das piores decisões estratégicas de invasão alienígena da história. Sério, só perde para Sinais (2002), de Shyamalan, que colocou Alienígenas vulneráveis a àgua para invadir um planeta que tem mais de 75% da sua composição desse elemento.

Ah sim, isso sem mencionar o personagem Deus Ex-Machine Gun que é invencível, explode tudo quando quer, e é convertido pela força do amor! Que meigo….

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“Sério mesmo, Man? Que Onda é essa?!!”, Márcio Melo, chocado após minha narrativa do filme.

Enfim, o filme é, como diria um velho amigo que hoje reside lá embaixo (não no inferno, na Austrália mesmo), a encarnação do mal: mal escrito, mal atuado e muito, mas muito mesmo, mal dirigido. É tão ruim que a melhor comparação que eu posso fazer é: ele é mais chato do que o mais chato dos episódios de The Walking Dead que você possa sonhar que poderia ser produzido. E sem zumbis! Depois da primeira hora de filme você terá vontade de arrancar seus olhos.

Se for ver, boa sorte. Só depois não diga que eu não avisei: não vá que é barril!


Esse não vale nem um bacon…consultei nosso CEO para ele criar essa nova classificação aqui na POCILGA. Não ao desperdício de bacon!


Título Original: The 5th Wave
Título Nacional: A Quinta Onda
Gênero: Ação/Aventura/Sci-Fi
Ano: 2016
Duração: 112 min
Diretor: J Blakeson
Roteiro: Susannah GrantAkiva Goldsman e Jeff Pinkner.
Elenco: Chloë Grace Moretz, Nick Robinson, Ron Livingston, Zackary Arthur e Liev Schreiber.
Graus de KB: 0 (sério, vamos deixar Kevin fora disso…).

 

 



Vá por mim… se você vir o trailer, você será enganado… estou lhe fazendo um favor.


8 thoughts on “Crítica | A Quinta Onda (The 5th Wave, 2016)”

  1. Destilou seu amor ao filme com gosto, agora fiquei com mais vontade ainda de assistí-lo!

    “Graus de KB: 0 (sério, vamos deixar Kevin fora disso…).”

    hahaahha

  2. Eu crítico supostamente não deve dizer pro leitor se ele deve ou não assistir a um filme, mas a piada do não vá que é barril é muito boa então tá tudo certo. hauahuahuahauh

  3. eu assisti ele ontem e não achei tão ruim, acho que uma pessoa não Cinéfila pode assistir esse filme numa boa sem esperar muita coisa, acho que dar pra passar o tempo tranquilo..

  4. Eh muito ruim. Mas muito mesmo. Sem sentido nenhum. A pior invasão alienígena que ja vi em filme. Totalmente sem lógica. Não perde tempo assistindo não que é barril

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