Crítica | Creed: Nascido para Lutar (sem spoilers)

Creed é sobre legado, mas também sobre trilhar seu próprio caminho e fazer sua história.

Por isso, antes de assistir eu estava me perguntando se veria um filme de Rocky, com todos os elementos que o cercam, ou algo totalmente diferente.

Sim, como acontece em toda grande franquia, um bom filme de Rocky tem que necessariamente conter certos requisitos, do contrário a maionese desanda.Creed05188.dng

O primeiro deles, é claro, é uma montagem de treino, um clássico que não pode faltar em qualquer filme de esportes.

Nisso, Creed se destaca: na trama, como o peso do seu sobrenome e a pressão contrária da família impedem que ele siga a carreira de pugilista em sua cidade natal, Adonis Creed decide se mudar para a Filadélfia para treinar com Rocky Balboa, talvez o único capaz de compreender a sua situação.

Quando os dois finalmente se juntam, nós temos belas cenas de treinamento que remetem aos filmes clássicos da franquia ao mesmo tempo que as modernizam. Fan service? Talvez, mas legal mesmo assim.

O segundo elemento é uma história inspiradora, e nisso Creed também não deixa a peteca cair. Meio continuação/spinoff, meio remake, o filme é uma verdadeira carta de amor ao original, com vários pontos em comum entre a história de Rocky e de Adonis.

Ambos têm suas próprias lutas para travar, seus próprios fantasmas para combater e a relação paternal entre eles — mais um tema recorrente da franquia — surge de forma orgânica, sobretudo por causa do grande trabalho de atuação dos protagonistas:

Creed03163.dngSylvester Stallone não tem dificuldades para encarnar de forma brilhante um Rocky mais velho e fragilizado, até porque a história do ator e do personagem meio que se confundem desde sempre.

Por sua vez, Tessa Thompson consegue dar personalidade e um arco próprio à personagem Bianca, que é muito mais do que um simples interesse romântico de Adonis.

E Michael B. Jordan, é claro, mostra por que é um dos grandes atores de sua geração, nos dando um Adonis humano, crível e carismático, com uma química perfeita com seu mentor.

Finalmente, o terceiro elemento é… você sabe. É tão clássico quanto o próprio filme, não dá para imaginar um sem o outro.

Impossível não passar o filme inteiro esperando por ela, em cada treino, em cada cena de luta, cada momento de superação de Adonis.

Mas os minutos vão passando, o filme parece lhe provocar a todo instante e então… ela não vem.

Aos poucos você começa a aceitar que a trama gira em torno de Adonis construindo sua própria história e que talvez por isso os produtores tenham infelizmente decidido se desvincular de uma das marcas registradas da série.

Quando você já está quase se conformando com a ideia, o filme te lembra que ele também fala sobre legado, sobre honrar o passado. E aí, meus amigos, finalmente os acordes de Gonna Fly Now soam na caixa.

E o mundo passa a fazer sentido de novo.

Um passo, um soco, um bacon de cada vez

Título Original: Creed
Elenco:  Michael B. Jordan, Sylvester Stallone, Tessa Thompson
Direção e Roteiro: Ryan Coogler
Duração: 133 minutos

Canto como Lionel Messi, jogo bola como Lionel Richie.

11 thoughts on “Crítica | Creed: Nascido para Lutar (sem spoilers)”

  1. “Um passo, um soco, um bacon de cada vez”

    Lema que vou guardar para a vida. Lionel, muitos claps de pé para o seu texto. O lance da música é exatamente esse. E quando ela chega é impossível conter a emoção.

  2. O que eu mais gosto em “Creed” é a reverência ao passado para se construir o futuro. Só tenho lido coisas maravilhosas sobre este filme e espero poder assisti-lo em breve!

    1. Vale muito a pena, Kamila.
      Não chega a superar o original ou mesmo o Rocky Balboa (que para mim estão tecnicamente empatados), mas está entre os melhores da série, com certeza.

    2. Vale muito a pena, Kamila.
      Não chega a superar o original ou mesmo o Rocky Balboa (que para mim estão tecnicamente empatados), mas está entre os melhores da série, com certeza.

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