Crítica | The Green Inferno – Canibais

The Green Inferno é um filme que já passou por muitos altos e baixos antes mesmo da sua estreia nos cinemas. Ele já foi aguardando ansiosamente pelos fãs, depois esquecido enquanto seu diretor estava envolvido em outros projetos, voltou aos holofotes perto do lançamento e depois foi deixado de lado mais uma vez. O diretor Eli Roth é um fã declarado de filmes com gore e explotation[i] e em suas produções deixou isso bastante claro ficando conhecido mundialmente após o banho de sangue apresentado em O Albergue.

A produção de The Green Inferno viajou para Nova York, Peru e Chile concluindo as filmagens no final de 2012. O lançamento foi previsto para 2013, inclusive uma sessão especial foi feita no Rio de Janeiro, mas a distribuidora rompeu com o estúdio adiando a estreia mundial. Uma outra produtora entrou no jogo e só em Setembro de 2015 o filme chegou aos cinemas nos Estados Unidos mas não existe uma previsão de exibição no Brasil.

the-green-inferno

O filme mostra a  jovem universitária Justine (Lorenza Izzo) que, durante uma aula, fica profundamente comovida ao tomar conhecimento de algumas barbares sofridas por mulheres em diversos países, incluindo a pratica de mutilação genital feminina. Sentindo a necessidade de fazer  diferença de alguma forma ela decide se unir a um grupo de ativistas dentro da faculdade. Justine sofre de um problema comum a muitas pessoas, elas querem ajudar mas não sabem como, querem sentir que estão fazendo algo mas não sabem o quê ou precisam mostrar ao mundo que são da turma do bem, para postar em suas redes sociais e mostrar aos amigos como são engajados. É o idealismo raso e sem propósito.

Essa premissa inicial de The Green Inferno é bem interessante e abre um ponto de reflexão que infelizmente não vai adiante. Justine se sente atraída pelo líder ativista, carismático e de retórica afiada, Alejandro (Ariel Levy), que tem todas as armas para recrutar aqueles que precisam de uma causa a qual lutar. Essa falta de direção, leva Justine junto com um bando de desconhecidos para o meio da floresta amazônica, para se acorrentar a árvores enquanto filmam o desmatamento local e homens armados dispostos a massacrar uma tribo local.

The-Green-Inferno

A primeira metade de The Green Inferno está focada na protagonista e no grupo de ativistas viajando para a floresta. É interessante acompanhar as motivações (ou falta dela) que alguns demonstram, o real motivo do recrutamento de Justine e qual o objetivo por trás da intervenção. É como se o mundo real desabasse na cabeça de todos eles! O problemas começam com um desastre aéreo em plena floresta e a sequência que mostra o avião perdendo o controle, pelo ponto de vista dos passageiros, é muito bem feita! A sensação de vertigem, alguns vomitam, outros se machucam ou desmaiam, toda a sequência é de tirar o fôlego.

E The Green Inferno erra exatamente naquilo que gostaríamos de ver, os ativistas cativos da tribo antropofágica[ii] que eles foram salvar. A captura até a chegada a tribo é de um suspense crescente e ao nos depararmos com aquela que parece ser uma espécie de pajé ou líder espiritual, sentimos que é uma figura a qual devemos temer. Mas o tom teatral não soa ameaçador como deveria, ao menos o restante da tribo parece uma encenação longínqua do que se passa em nossos pesadelos. Os índios soam como uma versão higienizada daqueles apresentados em Holocausto Canibal e similares, não há nudez nem fúria. Os rituais são fracos e mesmo com o gore presente ainda deixa a desejar. A situação de cativeiro é surreal, chegando ao ponto de uns dos personagens se masturbar para liberar adrenalina! A falta de empatia com aquelas pessoas, ativistas ou índios, prejudica a parte principal do filme, deixando na mão aquela que poderia ser a maior homenagem aos clássicos canibais italianos da década de 70.

.

[i] O gênero explotation retrata de forma apelativa e sensacionalista o assunto abordado no filme. O cinema italiano gerou muitos filmes com esse formato utilizando o subgênero canibal a exemplo de Holocausto Canibal e Canibal Ferox.

[ii] Antropofagia é o ritual de comer uma parte ou várias partes de um ser humano.


 

Nome: The Green Infernothe-green-inferno-poster

Direção: Eli Roth

Elenco:  Lorenza Izzo, Ariel Levy, Aaron Burns;

Sinopse: Um grupo de ativistas americanos viaja para a floresta amazônica na tentativa de expor para o mundo o desmatamento no local que terá como resultado a aniquilação de uma tribo indígena. Mas quando o avião deles cai, eles viram reféns da tribo que tentavam salvar.

 

 

Uma criatura meio doida que lembra a irmã do Ferris Bueller, finge que é nerd, adora filmes de terror mas tem medo de comédias românticas.

6 thoughts on “Crítica | The Green Inferno – Canibais

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *