Scream – 1ª temporada

Em 1996, o cinema de horror estava adormecido e sem grandes perspectivas de boas bilheterias. Seven – Os sete crimes capitais tinha sido o ultimo grande nome no mercado de horror mas, ainda assim, mesclado a gêneros como policial e suspense. Antes dele poderíamos pensar em Entrevista com Vampiro ou Frankeinstein de Mary Shelly, mas também não se encaixa genuinamente como um terror, deixando o lugar apenas para o fiasco Jason Vai para o Inferno.

Os estúdios estavam produzindo filmes de terror massivamente, porém vislumbravam o mercado de VHS, deixando para o cinema outros gêneros mais rentáveis. Dentro desse cenário sem grandes perspectivas, Wes Craven, que apesar de ter nos presenteado com alguns clássicos do terror, caminhava em uma linha decadente sem grandes produções, chega com um formato diferente de tudo que estava sendo apresentado. A aposta em um elenco praticamente desconhecido (quase todos com uma carreira de visibilidade começada no início dos anos 90)[i] o filme foi lançado.

O inicio de Pânico tem uma das sequências mais incríveis do cinema de horror, um assassino com uma linguagem jovem, a metalinguagem a todo momento vindo a tona e o roteiro que brinca com os clichês fez desse filme o slasher movie[ii] mais rentável da história do cinema (103 milhões só nos Estados Unidos). Não é a toa que produziram mais três sequências, inclusive a última lançada em 2011 também foi um sucesso absoluto de público no mundo todo.

Scream 01

Precisávamos mesmo de uma série baseada na franquia Pânico?

Se algo rendeu um bom dinheiro, a ideia é fazê-lo render ainda mais. Requentar a fórmula, chamar novos rostos, criar um hype, tornar tudo aquilo interessante mais uma vez. Com isso em mente, o drama de Sidney Prescott e toda sua trupe perseguida e assassinada na cidade de Woodsboro foi deixado de lado para a entrada de novos protagonistas, um novo local e um assassinado com uma máscara que lembra sutilmente o Ghostface.

Em Scream, os eventos acontecem na pacata cidade de Lakewood onde 20 anos atrás o jovem Brandon James assassinou um grupo de adolescentes e depois foi morto pela polícia durante uma emboscada. Apesar de marcada pela tragédia, a cidade fez de tudo para apagar estes registros e evitar que toda a carnificina ficasse eternamente ligada ao nome de Lakewood. O plano parece ter dado certo e os cidadãos continuam com suas vidas pacatas até que Nina, uma jovem rica e muito popular, é assassinada dentro da própria casa e um video é espalhado pela internet com o assassino usando a mesma máscara utilizada por Brandon James.

A partir daí somos apresentados aos outros personagens do núcleo central: Riley é a nerd bacana, Noah entende tudo sobre filmes de terror, Brooke é a pobre menina rica, Audrey a introspectiva, Jake o atleta vilão e o triangulo amoroso entre Will, Ema e Kieran. O fato dos personagens serem bastante caricatos não soaria como um problema pois desde a franquia Pânico temos figuras clichês que fazem parte da proposta do filme. A questão nisso tudo é que na série não existe carisma suficiente para o apego aos personagens, principalmente da protagonista e suas atitudes impensadas, típicas de adolescentes, nos distanciam ainda mais da história.

Scream

Apesar de me incomodar como em determinado momento parece que todo adolescente é um hacker e sabe como invadir sistemas o uso da tecnologia é muito bem utilizado. Quando uma certa personagem corre perigo, tenta desbloquear seu iPhone, mas sua mão está molhada e ela não consegue ou quando faz uma chamada por voz mas está tão desesperada que a Siri não entende o comando, são detalhes bem reais. Afinal, quando Noah diz: “Você tem um telefone fixo? Quem ainda tem telefone fixo em casa?” soa como uma pergunta que qualquer um de nós faria.

Esse mesmo personagem, Noah, faz outros comentários insistindo em uma metalinguagem que no início parece interessante mas depois fica confusa, forçada e sem contexto. Para deixar o espaço-tempo atual, a todo momento são mencionadas outras séries de TV como Game of Thrones e The Walking Dead, até mesmo reality shows a exemplo de Master Chef. Uma outra similaridade com o filme Pânico é a informação seguida do comportamento oposto ao citado; isso acontece quando um personagem afirma que se separar ao invés de permanecer em grupo é uma ideia estúpida e logo depois eles se separam.

Dizer que Scream é ruim seria como tirar o crédito de algo simplesmente por não ser o público alvo dele. A série tem um formato para agradar o público adolescente e acredito que empolga a quem pertence aquele universo. O comparativo com o filme é inevitável pelo simples fato da própria venda da série se basear no sucesso de Pânico e isso a prejudica mais do que ajuda. Scream está disponível no Netflix e foi disponibilizada a primeira temporada completa! Boa diversão!


[i] Neve Campbell tinha começado sua carreira em 1990 e antes de Pânico o único filme que fez com um pouco mais de visibilidade foi Jovens Bruxas lançado no mesmo ano; Drew Barrymore foi uma febre na indústria de hollywood após sua passagem por E.T. mas com tantos episódios relacionados a drogas e problemas familiares, se afastou das grandes produções e não fez nada de grande destaque até um ano antes com o filme Batman Eternamente; Courtney Cox era possivelmente a mais experiente pois nesse mesmo ano estreou na série Friends.

[ii] slasher movie é um subgênero da categoria terror no qual a trama gira em torno de um assassino que mata aleatoriamente, se diferenciando de serial killers pois não há nenhum critério.

 

One thought on “Scream – 1ª temporada”

  1. também gostei, mais espera mais…achava que seria mais pesado e que poderiam matar mais gente e ter um final mais surpreendente. aquele final ali foi horrível, muito sem emoção, sem graça e com direito a retorno Clichê na água kkkk

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