Review | The Leftovers – 2×03: Off Ramp

Talvez ainda seja um pouco precipitado dizer que a segunda temporada de The Leftovers é melhor do que a primeira, mas se os episódios continuarem com esta qualidade tal afirmação apenas constatará o óbvio. Off Ramp é mais um exemplo de como esse material é rico e está sendo explorado ao máximo por Damon Lindelof e toda a equipe. Apesar da minha empolgação com o cliffhanger de A Matter of Geography e o meu desejo de saber o que aconteceu e o que vai acontecer com Kevin e Evie (a filha de John Murphy, lembram?), fiquei tão interessado nos acontecimentos de Off Ramp – episódio centrado em Laurie e Tommy – que nem me importei com essas respostas.

Aqui vemos Tommy e Laurie tentando dar um sentido para suas vidas de uma maneira até surpreendente: trazer integrantes do grupo dos Remanescentes Culpados de volta à vida “normal”. Tommy veste o branco, acende um cigarro atrás do outro e entra em algum grupo. Após algum período de observação, ele vai até alguém que pareça indeciso em relação a fazer parte dos RC e oferece ajuda. Eis a estratégia para diminuir o número de membros desse “culto”. O trabalho não para por aí. Mãe e filho comandam um tipo de grupo de autoajuda para que ex-membros dos Remanescentes Culpados possam se reinserir na sociedade.

Tal estratégia não está livre de perigos, como fica bem evidente na sequência em que Tommy é descoberto e capturado. Honestamente, senti que o rapaz poderia estar com os dias contados. E o que dizer de Meg e sua atitude para com Tommy? Perturbador e bizarro, para dizer o mínimo.

Laurie está escrevendo um livro em que conta tudo o que pode sobre o seu tempo com os Remanescentes Culpados. Ela trata esse livro como algo precioso, afinal ela está colocando para fora tudo o que sente. Ou quase tudo. Ver Laurie indo atrás do seu notebook – e o livro – roubado foi extremamente divertido e um pouco tenso, mas poucos minutos depois ela tem uma atitude sinistra e nos deixa mais do que arrebatados. The Leftovers está conseguindo mexer com as nossas emoções de uma maneira bem mais intensa do que antes.

Outro ponto muito positivo desse episódio foi a trilha sonora, com direito a uma bateria de jazz para aumentar o tom de urgência, uma música eletrônica pra nos colocar na vibe de Laurie e até uma emocionante versão de Where is My Mind no piano.

Falando em emoções, Off Ramp consegue transmitir todo o turbilhão de sentimentos de Laurie na cena em que o editor aprova o livro, mas com algumas ressalvas. O jeito que ela bota tudo para fora é de arrepiar.

É, bastou um episódio muito bem escrito para finalmente nos sentirmos envolvidos com mais um personagem. Laurie não era tão interessante, principalmente pelo fato de ela passar boa parte da primeira temporada em silêncio, mas agora…

Off Ramp nos mostra também um arco narrativo dos mais trágicos. Falo da mulher resgatada por Tommy que ainda se sente perdida. Tão perdida que foi capaz de realizar um ato brutal e desesperado. Quase fui às lágrimas aqui. Pelo menos, tudo acaba com notas de esperança com Tommy aparentemente dando continuidade ao poder de Holly Wayne. Será?

Tivemos um episódio em que tudo funcionou da melhor maneira possível, um episódio em que não sentimos o tempo passar e que queremos mais. Sequências de tirar o fôlego, momentos de humor e momentos chocantes. E claro, mais um pouco de mistério. O que será que está acontecendo na Austrália? Tudo indica que em breve descobriremos.

***Classificação***

 

2 thoughts on “Review | The Leftovers – 2×03: Off Ramp”

  1. Velho, está espetacular essa 2º temporada até aqui. Cada episódio melhor que o outro, e eu que também estava esperando o desenrolar do final do episódio passado, nem me dei conta mais quando os acontecimentos de Off Ramp foram se sucedendo.

    Laurie era pra mim uma personagem detestável até o último episódio, para mim uma das piores, e o que ela fez aqui (que atuação incrível) foi esplêndido.

    A cena de Liv Tyler com o filho de Laurie ‘abraços grátis’ foi realmente insana.

    A trilha sonora com a bateria intensa me lembrou a trilha de Whisplash! Que episódio. Estou igual ao Kevin Bacon, em êxtase. Aplausos!

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